Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

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O ensino e as contingências conjunturais do presente!

 

 

As greves sucessivas, realizadas por professores e alunos, reclamam um olhar circunspecto relativamente ao ensino. Os motivos divergem em função da facção, mas detêm um denominador comum: o descontentamento com a política executiva e insatisfação com as medidas subsequentes face à educação. Excluindo o âmbito da verosimilhança das razões que apregoam, o que subsiste é uma situação que começa a ser insustentável. As reivindicações podem até ser plausíveis, mas os meios para conseguir as suas ambições começam a ser prejudiciais, dada a repetição. O efeito directo das greves e faltas recorrentes de uma ou outra parte só agudiza o subdesenvolvimento do ensino português. Portalegre pertenceu à regra. Os seus alunos e professores aderiram à corrente tornando fundamental a exegese ao acontecimento na generalidade, aplicando-se por conseguinte ao local.

Quanto aos professores contestam, no fundo, toda a conjuntura reformista que as políticas imputam. Perante uma panóplia vasta de argumentos, reside a dúvida simbiótica do fundamento ou ausência dele no que pugnam.  É facto inolvidável a injustiça associada a alguns aspectos. Contudo esse alicerce não pode servir para a extrapolação e generalização. Porque é, simultaneamente, um facto indelével a necessidade, mesmo que prejudicial a estes profissionais, de muitas políticas implementadas.

Circunscrevendo-me às represálias gerais, apesar de não desprezar as pessoais, a verdade é que a conduta adoptada, as greves constantes, só vêm guarnecer a precariedade do ensino. Nos últimos tempos tem-se assistido a um facilitismo lancinante e preocupante, cujos professores também são responsáveis. Recentemente e primeiramente, pelas faltas consequentes das greves, memo que esporádicas e pontuais, que só atrasam a matéria. Em segundo lugar e desde a algum tempo, pela cedência ao protótipo do aluno inerte. Não se exige nas devidas proporções, e a equidade virou indulgência exacerbada. Os professores sucumbiram à pressão dos alunos, cuja obsessão é somente passar em lugar de incrementar. O resultado é o estereótipo que dissemina: indivíduos prestes a serem profissionais que não sabem escrever, ler e, pior, pensar!

Quanto aos alunos a situação é igualmente alarmante. Pois, assim como no caso precedente, a culpa não se confina á sua culpabilidade. Carecendo de instâncias intrínsecas que impinjam objectivos e horizontes longínquos, cingem-se ao imediato: o desejo de passar o ano, mesmo com notas insatisfatórias. Desnorteados, disparam para o ar acusações pela falta de rendimento e resultados positivos, chegando ao cúmulo de acusar o professor que pretende de mais. Saciam-se facilmente e a ambição é sempre o suficiente e nunca o sonho do óptimo. O egoísmo e individualismo inalienável a estas gerações pueris, fungível á sociedade no seu todo, está latente na sua forma de conceber a escola e o preceptor. São todos meios para um fim: o seu bem-estar, que pungentemente passa pelo tédio e sedentariedade intelectual. As objecções às aulas de substituição são ilustrativas deste comportamento. Atestam a falta de sentido destas, pela ausência de concretização e/ou desprezo dos seus objectivos. Segundo os alunos, estas aulas, geradas com o intuito de erradicar os feriados, não servem de nada, pois não é dada matéria e os professores que as dão não coincidem com a área do ausente, impossibilitando a realização de tarefas ligadas à matéria. O nefasto da situação exalta-se quando constatamos que o verdadeiro argumento é, sucintamente, a avidez de vadiagem. Não obstante a estas justificações aceitáveis, a verdade é que circundam a inanidade, uma vez que muitos professores conseguem fazer destas aulas proveitosas, contornando as adversidades suscitadas pela ignorância nessa área.

No fundo tudo se resume a uma amálgama de valores. Prolifera uma inconsciência dos papeis e funções respectivas de cada um na sociedade: instituições, profissionais e aprendizes. Esta tendência para o desmazelo obstrui a imperatividade de uma metamorfose radical.

A escola como uma instituição basilar no seio da sociedade, perde valor porque proscreve as suas obrigações. Deveria ser um espaço deveras profícuo dada a consubstanciação de campos que abrange: ensino, educação, cultura, sociabilidade…todavia é uma pólo de obscurantismo, uma vez que alimenta e não combate a postura ignóbil de alguns adolescentes.

É deveras premente recordar que a escola é o primeiro elo de ligação ao exterior. É, acima de tudo, o primeiro momento de socialização, não no sentido de incutir o consenso e contribuir para estandardização, mas de instruir e formar quem no futuro irá imperar. Se não existe uma escola capaz de formar, nunca existirá uma sociedade capaz de mudar.

Portalegre não tendo sido excepção neste momento específico, poderá ser arquétipo no futuro. Tudo depende, exclusivamente, da vontade dos professores e alunos de fazerem destas escolas paradigmas para um país! Finalizo, reiterando. Os primórdios da carestia moral e anomia social são a escola e o ostracismo dos seus fins.


publicado por portalegreeomundo às 23:19
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