Sábado, 18 de Março de 2006

DESENHOS DE MAOMÉ

Assunto que abrangeu a maior parte de todos os jornais, telejornais, debates, rádios... durante semanas, mas que, acima de tudo abalou, atingiu e, quanto a mim, destruiu pilares que levaram séculos a construir e ,muitos mais, a solidificar!

Infelizmente e ao contrário do que muitos apregoam não se trata de míseros desenhos com uma "ironiazinha" subjacente e uma "pitadazinha" de sátira, que se possam restringir ou, mesmos, esgotar na interpretação de cada um. Estes desenhos e todos os símbolos escolhidos para os compor não foram uma mera escolha aleatória, cujo objectivo era, só, testar a capacidade de paciência do outro lado. Só por acaso, e se ainda não se reparou, esse outro lado constituem as facções mais

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radicais do Mundo. E importante ter em conta que todos os povos que se sentiram ofendidos e ressentidos pelo que foi feito sob, na sua maioria, gente cega pela religião e pêlos seus valores, incapazes de reagir de maneira pacífica ou inteligente, nestas ocasiões. Sem querer ofender, a verdade é que estes povos chegam parecer-se com povos primitivos, isolados da sociabilidade ou Humanidade! Porque, quanto a mim, queimar a bandeira de um outro país ou usá-la como tapete, ignorar, ridicularizar e menosprezar um acontecimento que representa o sofrimento de milhões de judeus...é isso mesmo! Actos selvagens de quem não tem um mínimo de nacionalidade ou sensibilidade para medir consequências.

Na minha opinião, e é preciso clarificar, não está em discussão a gravidade do acto de quem fez e publicou tais de senhos, porque não me junto aos facciosos europeus que defendem, a todo o custo, quem os fez usando como argumento a liberdade de expressão, e criticam os que reagiram sem qualquer critério plausível. Ou seja, para mim o que é discutível não é a reacção de cada uma das partes, mas a maneira como optaram fazê-lo!

Em primeiro lugar, e começando por analisar o autor dos desenhos e quem os publicou parece-me haver, antes de mais, incoerência nas desculpas posteriores ao acto. O jornalista defende-se com o editor, este último mantém-se no silêncio, sem explicar se quer dizer consentimento! Mas esquecendo este aspecto e debruçando-me sob o que é o cerne da questão, foco dois aspectos: a liberdade de expressão, tão mencionado estas semanas; e a maneira coo esta é usada ou deturpada! A liberdade de expressão devia ser absoluto e inquestionável. Contudo. E importante não esquecer o tão famoso cliché de que a liberdade de cada um termina onde começa a do outro, o que quer dizer que só somos , verdadeiramente livres, quando sabemos de forma autónoma onde parar. Limites que tema sua origem nos valores e princípios de cada um. besta forma, acho que cabia ao jornalista ter atenção do que estava a atingir e a quem estava atingir 8não por razões de medo), e se, ainda assim, permanecesse a vontade de fazer a graça e provocar um tremor no Mundo, ser mais brando. Não por medo, repito e reforço, da reacção alheia mas, simplesmente, por respeito. Recomendava-lhe, assim uma obra ou outra de Kant, onde se fala de Lei Moral e imperativo Categórico e de como é partir deles conseguimos atingir os valores que defendemos, como: a liberdade! Neste sentido aproveito a onda, para criticar a atitude dos governos ocidentais, porque apesar de tudo este assunto nunca deveria ter saído do âmbito da imprensa, nem ser razão suficiente para que os mais altos governantes viessem, em público, pedir desculpa: duplo erro. Porque quando falamos de Mundo, falamos de diversas formas de vida, de multiplicidade de culturas e , por isso, inúmeras formas de interpretação. Para qualquer pessoa a atitude do presidente da Dinamarca ou de Portugal, seria um acto de coragem e uma maneira de atenuar a violência. Mas, para os muçulmanos, enclausurados na sua raiva, foi mais uma vitória, mais um degrau para o seu orgulho, pensando que os europeus se rendem, para não dizer outra coisa, perante o Islamismo e o fundamentalismo associado.

Por sua vez, e no que diz respeito à atitude contrária, a situação é um pouco mais complexa. Sinto-me de alguma forma limitada, para que não caia na contradição e toque coisas que não conheça. E por isso, vou-me restringir ao que julgo serem valores universais. Parece-me abismal, indescritível e inqualificável maneira como esses povos escolheram refilar ou expressar-se. A única palavra que me ocorre é -  ridículo) Reconheço que para eles seja difícil aceitar democracia, diplomacia, coexistência...mas daí a chegarem ao extremo a que chegaram é inconcebível. Foi-lhes reconhecida a razão, foi dito que cabe , apesar de tudo, à ética da imprensa atender às diferenças d culturas e suas susceptibilidades e, mesmo assim continuaram os gritos de guerra pelo Médio Oriente fora! Com isto só mostraram ao Mundo como estão fechados numa ideia, completamente errónea, dos valores que os movem.

Para concluir, verifico que, mais uma vez, de um assunto situado no tempo, no espaço.

específico e pontual, se retira um diagnóstico do que se tornou o nosso mundo. Entrámos, e vamos custar a sair, no tempo de subestimar outras culturas; relativizar, ignorar, desprezar e, até, gozar, com situações dramáticas que marcaram a História contemporânea; de não olhar a meios para atingir os fins, usando tudo como objecto para conseguir mais um feito pessoal! Resume-se tudo a uma necessária e imperativa revolução de princípios, capaz de transformar a conduta de todos nós! Eu acredito! E para aqueles que se escondem na multidão, duvidando da capacidade do indivíduo, aqui está a prova de como o "um" pode abanar o mundo. A mudança esta, mesmo, nas nossas mãos!

 


publicado por portalegreeomundo às 20:27
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