Sábado, 20 de Janeiro de 2007

A noite: síntese da postura típica!

 

O indivíduo muda em função do meio em que está integrado, este é um facto indubitável e constatável nas situações mais triviais. Altera-se a pessoa e simultaneamente a sua postura, estado anímico e relação com o que consigo interage. Este fenómeno é incrivelmente tangível e visível na cidade de Portalegre, ou melhor, no comportamento dos seus concidadãos para consigo.

Podendo enumerar uma panóplia infindável de exemplos que ilustram o que advogo, escolho a noite, que de certa forma, é um espaço que consubstancia todas as faixas etárias assim como os interesses divergentes.

Antecipando o que devia ser conclusão a verdade é que subestimamos e menosprezamos o nosso, sobrevalorizando, e às vezes inadvertidamente, o alheio. Em Portalegre, tudo é serôdio, retrógrado e insatisfatório. Fora de Portalegre, tudo é fantástico e admirável, mesmo quando a clivagem entre este e outros espaços é diminuta ou inexistente.

Portalegre evolui, porque proliferam os espaços nocturnos assim como a sua qualidade, e regride, concomitantemente, porque a conjuntura social não acompanha o incremento estrutural. Estão asseguradas todas infra-estruturas fulcrais - população, espaços próprios para diferentes intenções, preços, etc.- a uma noite dinâmica e movimentada e o que se verifica é exactamente o oposto.

Confirmando a regra, a responsabilidade é profusas disseminando pelos diferentes pilares da localidade.

No respeitante ao órgão de soberania local não facilita nem realiza as devidas diligências para que o negócio nocturno vingue e consequentemente logre a cidade. Assumido toda a insipiência que me é imputável pelo desconhecimento, é notória a ausência de uma política de equidade. Generalizam-se os imperativos, aplicando as regras que regem a noite portalegrense a qualquer espaço seu constituinte, mesmo sendo evidentes as clivagens entre eles. A concretização do principio de igualdade advém também da consideração da diferença. Tendo os espaços nocturnos diferentes estatutos – tasca, café, bar, bar dançante ou discoteca – terão de simultaneamente deter diferentes obrigações assim como prerrogativas. Não se reclamam privilégios infundados ou benefícios injustificados, mas tão somente os apanágios correspondentes às qualidades que possuem e propriedades que facultam. Julgando o poder local que esta é preocupação cuja responsabilidade pode ser delegada, a verdade é que quando, com os meios que possui, não fomenta o dinamismo nocturno, está, mesmo que obliquamente, a ser responsável por um dos campos onde a letargia predomina.

Os espaços nocturnos, para não cingir a noite aos bares mesmo sendo o mais vulgar na cidade, não são incólumes. O rótulo de vítimas aplica-se, mas parcialmente. São, fundamentalmente, responsáveis na medida em que não se esforçam para uma inter relação minimamente salutar e frutífera. Ébrios pela ambição de lucrarem isoladamente prorrogam a imagem deplorável associada à noite portalegrense, acusada de exígua. À semelhança de outros âmbitos, preocupam-se apenas com o dilatação dos seus ganhos sem se aperceberem que é a presença do equilíbrio entre eles que erradica os resultados nefastos para todos. A título de exemplo foco a prática de preços irrisórios por alguns bares comparativamente ao regular. Claro que isso é opção assim como risco daquele opta por esta estratégia, desde que não afecte as partes, diferentes bares, e o todo, a noite de Portalegre. A estratégia é aparentemente benigna porque o corolário imediato será a concentração da clientela naquele bar, todavia e a longo prazo os efeitos serão manifestamente nocivos para a globalidade, contrariando as conclusões do custo de oportunidade do mesmo bar. Acaba por compelir toda a concorrência a conformar-se com o satisfatório quando poderia alcançar o óptimo. Pois coagem os restantes que consigo coexistem a praticarem preços semelhantes ou arriscarem-se à falência e encerramento pela impossibilidade de prática de preços idênticos. O bar que contraria a tendência do preço de mercado, processo que não é inusitado em Portalegre, ludibriado pelo lucro exasperado causado pela táctica adoptada não percebe que a clientela considerável é temporária e perecível. Pois outros acharão uma forma insigne e inaudita de se demarcar, devolvendo as consequências ao anterior. É inolvidável que esta é a lógica que alimenta a dinâmica do mercado, a competição da concorrência com fim aos ganhos, mas não quando isso implica deslealdade e adversidades frívolas para os seus protagonistas: oferta e procura. Coabitação salutar e até convergência de objectivos não impele homogeneidade e no entanto contribui para a concretização das aspirações que são unânimes: aumento dos clientes, ocupação dos espaços e desta forma lucro generalizado, que nunca é igualitário, claro.

Culminando o role de responsabilidades e atipicamente ao habitual, aqui é a população a culpada primordial. É flagrante a forma como relativiza o que a cidade tem de valorizável. Condena veemente e consecutivamente o que já existe e, ironicamente, é contundente ao original que vai emergindo. O caricato atinge o paroxismo quando os argumentos que atesta imperam enquanto se reside em Portalegre mas desaparecem fora dela. Os preços, os consumos mínimos, a música entre outras são desculpas que justificam a falta de vontade em frequentar a noite de Portalegre. Contudo estas são circunstâncias características de qualquer bar, com a ingente diferença que lá fora são agudizadas: a música é igual, os preços drasticamente mais elevados, os consumos mínimos substanciais muitas vezes sem benefício de consumo, e curiosamente os Portalegrenses frequentam e até apreciam.

Peroro reconhecendo que todos são réprobos, não deixando de reconhecer a preponderância dos meus compatriotas. Os Portalegrenses não valorizam nem usufruem o que Portalegre vai oferecendo com mais diversidade e qualidade, admirando-se depois que seja repugnada por todos os pólos: mais população, investimentos, empresas, etc.

A solução passa por não nos resignarmos ao carácter inapelável da noite de Portalegre, assumpção que é sofisma, e exortar assim como preservar as suas qualidades, começando aderir em massa. É imperório abdicar de enaltecer o que existe fora das muralhas, adquirindo uma perspectiva abrangente que permita reparar que oferecemos o mesmo e muitas vezes mais e melhor.

Se a responsabilidade é inerente a cada facção também a extinção do que está mal é atribuível a todos. Não obstante ao poder concentrado nos bares e Câmara porque detêm o monopólio das alterações estruturais, a população pode, se quiser, ser uma adjuvante indispensável. Concentrando-se na cidade espoleta o dinamismo.

O risível transcende o aceitável quando problema não se deve á ausência de procura ou carência de oferta, mas sim à incongruência entre ambas, porque o catalisador – vontade de se coadunarem – se coíbe da função de elo de ligação.

Não vamos protelar o subterfúgios que em tempos foram críveis, mas que começam a ser obsoletos!


publicado por portalegreeomundo às 20:08
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