Quinta-feira, 23 de Março de 2006

Uma questão de perspectiva!


Aos 18 anos percebi que o modo e a intensidade com que sentimos, como vemos, como interpretamos ou correspondemos está, directamente, ligado com a maneira como estamos. Conclusão óbvia, eu sei, mas que só começou a fazer sentido agora. Agora, que tenho a noção da condição do Existencialismo. Mais do que nunca, agora percebo como vivo os corolários da escassez. O tempo é escasso e impões escolhas; a intensidade da necessidade é graduável e relativa, porque depende da intensidade com que se sente a escassez. As proporções e dimensões não são inequívocas, unívocas ou objectivas. Só agora entendi a essência do indivíduo, o que provoca uma consequente perda do protagonismo da multidão ou do grupo. Calma! Não sou ou não apelo ao egocentrismo, nem tão pouco ignoro os grupos sociais que estratificam as sociedades, o que quero dizer é que para mim a concretização do sucesso terá como ponto de partida o “eu” para chegar ao fim: o “nós”. O todo é no fundo um conjunto de sucessos individuais.


O defeito das ideologias políticas, talvez, esteja precisamente no que assumem como prioridade. Cada uma com os seus radicalismos, subdividem-se em duas, consoante a atenção ao grupo ou ao indivíduo. De um modo muito singelo é isto! O Socialismo, ou partidos de esquerda, a prioridade é o grupo, o bem-estar social, a justiça....Os partidos de direita concentram-se na eficiência, no indivíduo.


É difícil conceber tal coisa, porque isto não são mais do que ideias ou divagações de alguém inexperiente, mas acho que o segredo poderá estar na fusão. Se pensarmos não é assim tão transcendente nem está tão longe da realidade. Afinal de contas, o que tem sido a política de Sócrates senão uma fusão de medidas que sintetizam e abrangem ambas as ideologias? O sucesso está à vista! Acho eu! A alma é de esquerda mas a cabeça é de direita; A política é de centro e não tende, visivelmente, para nenhum dos lados. Porque, inauditamente, agrada a gregos e a troianos; Não prescinde do investimento, não ignora o capitalismo, não rejeita ou renúncia à arte das privatizações (porque também não conseguiria), tem como armas a inovação e o desenvolvimento a partir de métodos capazes e concretizáveis. Mas não esquece que uma sociedade só o é quando plural e, por isso, cria projectos para uma educação acessível a todos, embora não totalmente grátis,; não esquece a saúde, mesmo fechando algumas maternidades e escoando pessoal; Contudo, é preciso não confundir necessidades com facilidades. Para a saúde ser gratuita não quer dizer que certos serviços tenham beneces que abranjam 3 ou 4 gerações; para que se construa instituições sólidas e competentes, como os tribunais, não quer dizer que os seus funcionários tenham 3 meses de férias, e por aí adiante...


É preciso ser coerente em tudo, mas sobretudo nas críticas. Temos que começar a perceber que quando criticamos sempre, os argumentos são sempre os mesmos  e os resultados até são contrários perdemos credibilidade. Independentemente das minhas escolhas políticas, que nada interferem na análise, temos que reconhecer que este governo é dos mais activos.


Voltando à ideia central, a tal da perspectiva, o exemplo elucida a tese. É preciso investir no indivíduo para que o todo funcione. Os dois pólos não são só compatíveis, como ainda interdependentes. Só somos com o outro, já dizia Aristóteles, mas o conjunto só funciona quando tem “uns”. A própria História o demonstra. Porque é que a auto-suficiência deu lugar à interdependência; a auto-produção Às trocas comerciais?


Os países , as pessoas especializam-se e é a partir dessas aptidões diversas, consequentes necessidades opostas , que nasce a ordem espontânea, que a todos beneficia. O Homem só funciona quando: tem interesses; e tem prazer (principio hedonístico e Lei do menor esforço). O egoísmo é qualquer cosa de inerente ao Homem, mas também necessário. É a partir dele que nos tornamos exímios em alguma actividade e nos tornamos úteis para os outros. Somos bons no que gostamos, superamos o sacrifício porque os benefícios se sobrepõem às desvantagens. Esforçamo-nos e somos mais competentes quanto mais aptos e interessados. É neste círculo recorrente e constante, muitas vezes, inconsciente e, absolutamente, natural que nasce uma sociedade, onde somos um conjunto de indivíduos!



publicado por portalegreeomundo às 19:59
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