Segunda-feira, 3 de Abril de 2006

Acordo de titâns!

Iniciou-se, no dia 9 de Março, uma nova era. Tomou posse o novo Presidente da República. O facto de ser oriundo da direita política, mesmo insistindo no seu supra-partidarismo, é um ponto interessante e, quiçá, benéfico para o país. Não só por ser o primeiro Presidente da Republica de direita, pós 25 de Abril, mas, especialmente, pelo facto do Governo ser da ala oposta e a  Assembleia da República composta por uma maioria de esquerda. Não é nada de inédito esta oposição de ideologias nos mais altos orgãos de soberania, mas é nova toda a situação envolvente.

Tenho ficado estupefacta, surpreendida, perplexa (insisto em reforçar o estado) com a receptividade de cada uma das partes, sobretudo do Primeiro-Ministro. Chegam a parecer conterrâneos, amigos, apoiantes, velhos companheiros de lutas políticas por objectivos comuns ...Fico contente, mesmo que alerta. O meu lado desconfiado obriga-me a achar suspeito tudo isto! O sorriso de Sócrates parecendo tão contente pela eleição de Cavaco Silva não pode passar impune! Leva-me  apensar que toda a cena política construída pelo PS, nas eleições presidenciais, não passou de um estratégia calculista e bem planeada do Secretário-Geral do partido. A escolha de Mário Soares: que à partida, e também à chegada, não era sequer ameaça para o candidato apoiado pela direita; o afastamento de Manuel Alegre, que se percebeu, reunia bem mais consensos e apoios dos portugueses, o que ficou posteriormente, comprovado pelo escurtínio; e a receptividade de Sócrates, leva-me a pensar que também este sabia, lá bem no fundo que Cavaco Silva seria o melhor candidato. Principalmente, porque temos um sistema semi-presidencialista, que exige cooperação entre os diferentes orgãos.

Antes de fundamentar esta conclusão, é preciso diferenciar e clarificar: Cavaco Silva é o mais adequado, não o melhor! Simplesmente, porque também uma eleição política, como tudo aliás, tem que ter critérios subjacentes. Muitos advogam e exaltam a ideia de que um Presidente da República deve reunir uns quantos requesitos. Concordo absolutamente. E, também, não sei até que ponto a obsessão pela economia, o ar pouco simpático ou a incapacidade de comunicar de Cavaco Silva chegam para os preencher. No entanto, e mesmo assumindo como absolutos, necessários e irrefutáveis esses requesitos, defendo que o modelo para a presidência tem de ser volátil, porque mutável é a sociedade. As características, necessidades e respostas que Portugal precisa e precisará, não estagnaram e não são estáticas. É a esta mutação que qualquer eleição deve estar associada.

Cavaco Silva não será o Presidente perfeito, estará, muito provavelmente, aquém do que foi Sampaio ou Mário Soares, nos seus tempos áureos, mas é o Presidente que Portugal precisa. É sob o ponto de vista dos possíveis resultados a curto prazo, o mais eficaz. Antes da externa, que não deve ser preterida, a preocupação primordial deve ser ao nível interno. Mesmo que reduzido no âmbito activo e de execução, pelas limitações que a Constituição lhe impõe é a pessoa certa e que, se bem sucedido, na aliança com o Primeiro-Ministro, pode motivar e incrementar o andamento, lento, que Portugal leva. É uma pessoa, aparentemente , activa, empreendedora, interventiva e com iniciativa, corresponde ao que Sócrates tem tentado instaurar.

Não acredito numa co-habitação pacifica, porque antes da isenção que lhes é exigida são pessoas, têm opiniões e ideias opostas e isso faz com que sejam falíveis. As querelas vãos ser muitas...Mas quem sabe se não é desta fricções que sai a solução mágica, pelo menos, para substituir-mos a tanga pelos calções? Confio no auxílio e na ajuda, nas conselhos e na aceitação dos mesmos. É preciso lembrar que em qualquer altura , mas sobretudo nesta, as promessas de uma cooperação estratégica e a interacção não se podem cingir aos discursos simpáticos e de conveniência inicial.

Relativamente ao sistema , que é o que proporciona a boa aliança com os dois protagonistas da cena política, impõe decisões pactícias para que seja possível a produtividade. Pois, o Presidente precisa do Governo e vice-versa!


publicado por portalegreeomundo às 13:54
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2 comentários:
De Gonçalves Pereira a 3 de Abril de 2006 às 18:11
Começaste com a terminologia da "Guerra das Estrelas" e com ela terminaste!!!
A aliança de que falas, é somente o respeito próprio do PM pelo cargo de PR, inerente a todos os ministros, e mais a este, porque se há algo que Sócrates não faz, é prejudicar a sua imagem cinematográfica, através de uma retórica redundante e opaca!
Por vezes, demasiadas até, extravasas a tua própria ideologia ( ou talvez não!), em que te afastas letargicamente da direita, em prol de uma esquerda obsoleta, saudosista, socialmente liberal, que disfarça com politiquices de direita.
Cavaco Silva é o melhor para o cargo de Presidente da República, pelo simples facto de que foi eleito democraticamente por um povo soberano.
Viva Portugal!!


De portalegreeomundo a 4 de Abril de 2006 às 16:15
tas definitivamente e pprofundamente enganado!primeira a nao me me enganas nem surprendes com essa retorica e vocabulário eloquenyte, porque a minha resposta ao teu comentario(esse sim obsoleto) é simples e directa:antes de apologista de uma ideologia, sou pessoa, e por isso tenho principios, que napo prescindo em funçaõ do sucesso!se e que me entendes!


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