Segunda-feira, 3 de Abril de 2006

França:o reflexo dos países desenvolvidos!

O desemprego é, hoje, uma pandemia pior que a gripe das aves. A solução não passa pelo seu abatimento, alastra-se com maior rapidez e a solução não parece evidente.

Os países procuram as respostas, mas transparecem a ideia de não as encontrar. É verdade que isto das estratégias económicas é algo de muito complexo, muitas vezes as medidas que, julgamos, agravarem a situação acabam por ter o efeito contrário. Contudo, as políticas que visam, senão o desaparecimento, ( que parece utópico) a diminuição do desemprego, esbarram e debatem-se com os números. As promessas que pretendem sossegar temem em não sair. Instala-se o pânico nas massas e toda gente vive assustada, com a possibilidade de ser mais um na fila do desemprego. A venda dos jornais aumentam  e a razão é a busca incessante na parte dos classificados. O que fazer perante este panorama de caos profissional, onde a estabilidade não pertence mais ao conceito de emprego?

O caso mais flagrante é o da França, com isto CPE. Segundo as definições dos meios de comunicação, trata-se de um contrato de primeiro emprego, que permite às empresas despedir , nos dois primeiros anos, os empregados com idade inferior a 26 anos, sem justificação plausível. Villepin pretendia com esta media a solução aos motins nos subúrbios de Paris, nos meses de Inverno. Supostamente, o CPE aliviaria as empresas de preocupações com o as deficuldades e impedimentos no despedimento, e faria com que contratassem mais facilmente. Mas parece ter-se precipitado, gerando a revolta dos meses de primavera, agora nos centros urbanos. Paris faz lembrar a França de 68. Com palavras de ordem completamente diferentes às que invcentivavam a população naqueles tempo. O Maio de 68 foi um marco na História, símbolo de liberdade para os jovens de todos os valores tradicionais que os prendiam às gerações anteriores. O Março de 2006 pretende continuidade, ausência de mudança, permanência das políticas que permitiam mais segurança. Mas a análise de todo o desenvolvimento deste projecto não se deve cingir Às repercussões futuras, mas ter subjacente a história dos franceses.

Se fizermos uma viagem ao passado, verificamos que não é inédita esta forma de mostrar discordância. A revolta e o vandalismo parecem ser métodos frequente sempre que não há compatibilidade. As proporções não são, talvez, equiparáveis às do CPE, mas obedeceram a este estado de histerismo. Em 40 anos a política francesa, sobretudo a de direita, foi obrigada a conviver com as manifestações. Foi o caso das manifestações de alunos, pais e professores nas ruas contra o projecto da lei Savary, em Junho de 1984; a reforma de Ferry sobre a escola, em 2005; as manifestações contra o CIP (Contrato de Inserção Social), em 1995, São alguns exemplos que não deixam passar impunes os franceses na sua forma de se fazerem ouvir. De criticar, também, a falta de civismo dos estudantes e movimentos sindicais, que se recusam terminantemente a debater com Villepin.

Com isto não quero retirar legitimidade ou fundamento Às manifestações, mas apenas À forma como estão a ser feitas. Sem dúvida que o CPE é motivo de contestação. Não é admissível que tratem uma geração instruída como autênticos analfabetos, tentando convencer que esta é uma medida de solução. Assim como não é aceitável que um país que se afirma, ainda, como Estado-Providência deixe ao critério das empresas um dos pilares mais importantes de uma sociedade: o emprego. É um facto que o full-time é qualquer coisa em vias de extinção nos dias de hoje, mas não se exagere. É incontestável a ausência de quaisquer garantias. O benefício cinge-se ao lucro das empresas, permitindo-lhes que manipulem os seus trabalhadores em função dos seus interesses. O CPE é uma forma de atrito ao trabalho estável. Sem contar com todas as consequência maiores e mais evidentes ( como a precariedade desses trabalhadores), há-que ter em conta todos os efeitos secundários: a desmotivação geral, de quem começa e de quem está.

Interessante de reparar na imensa vastidão de consequências que o CPE provocou. Conseguiu afectar ao nível interno e externo, e não agradar  a ninguém, a não ser ao Presidente Chirac (cuja imagem tem vindo a descer na consideração dos Franceses). Esta medida acaba por afectar, ainda, o futuro político da França. Sakorzy também não sai incólume desta situação. Vive agora preso num paralelismo difícil. A concordância com o CPE, que parece ser consequência da sua ideologia política, acaba por prejudicar a sua imagem. Ou seja, sendo um homem de direita e defendendo a liberalização do Código do Trabalho, terá de concordar com a medida de Villepin, para ser minimamente coerente. Mas isso incentivará e incrementará, certamente, a popularidade do candidato rival, em detrimento da sua.

Preocupações: a França não foi o primeiro, nem vai ser o último país a instalar o caos, com estas medidas vanguardistas com vista ao liberalismo económico. A Alemanha está na mira...mas a fila é comprida!


publicado por portalegreeomundo às 13:59
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