Quarta-feira, 19 de Abril de 2006

( In)coerência dos E.U.A.

Realmente não há nada na vida e, por isso, na política que fuja às leis do destino. Na sequência do 11 de Setembro de 2001, o Presidente Bush declarou guerra ao terrorismo. Demonstrando que não é um homem de retórica ou que se fique pela ameaça, depressa começou a concretização do que seria o seu karma nos próximos anos. Invadiu o Iraque, pretendendo atingir um dos pólos do que agora é inimigo público, o terrorismo. As causas para a invasão foram: a existência de armas de destruição maciça; e a possibilidade de estas se tornarem a maior ameaça do Mundo Ocidental. Bush tentou fazer um favor ao mundo, e com o apoio de uns quantos Governos que temem a chantagem americana, derrubou o regime ditatorial de Saddam Hussein. Monopolizou as tropas de diversos países com objectivos de instaurar a paz e uma democracia num país onde impera a guerra civil. Mesmo sendo aliciante as imensas críticas que poderia tecer a propósito de tal assunto, não é para criticar esta posição que escrevo.

As minhas dúvidas agora são outras… mesmo tendo como protagonista o mesmo homem. É incrível como este Presidente Bush e o seu sonho de Imperialismo americano têm sempre tanto para criticar, que o que condenámos ontem passa a desactual hoje, por sucessivas falha. Chegou a altura para o Mr. Bush e os seus apoiantes demonstrarem a determinação da sua promessa de aniquilar o terrorismo e construir um Mundo melhor. O Irão é o meio.

Desde há alguns meses que Teerão afirma a vontade de investir em energia nuclear, iniciativa que despoltou, imediatamente, o pânico nos países ocidentais.

Tendo em conta que é um dos países do Médio Oriente que, ainda, obedece às leis do fundamentalismo, o atrito depressa surgiu. A ONU opoem-se, mas quem mais se revolta são os E.U.A. Toda esta situação demonstrou, mais uma vez e tristemente, de como o Mundo se rege de acordo com os interesses daqueles que, por factores económicos, o manipulam. A Rússia e a China afastam-se de qualquer pressão sobre o Irão, não apoiando as sanções que ONU pretende aplicar, para dissuadir este país do perigoso investimento, e tudo porque lucram com esta decisão do Irão. Os E.U.A apoiam toda a tentativa de ameaçar o Irão, porque temem o seu poder e potência que podem vir a tornar-se. Condenam a energia nuclear no Irão, mas apoiam a da Índia, que não assinou o tratado de não proliferação. A situação é preocupante quando os E.U.A reflectem sobre uma possível invasão ao Irão.

Vamos, penso eu, durante os próximos dias assistir: ou, a uma drástica e inconsequente, mas coerente, atitude dos E.U.A.; ou à maior de todas as contradições do  Presidente Bush. Por um lado, não pode sair além fronteiras sempre que entenda e que assuma um possível vilão, insistindo na imagem de salvador da Humanidade. O Mundo já não se rege por guerras decretadas por vontades de homens. A guerra é, agora, o último recurso e obedece a critérios estabelecidos por um Direito Internacional, assim como à soberania de outros Estados. Por outro lado, e depois de ter invadido o Iraque sem argumentos plausíveis, sustentado só numa possibilidade, tem de fazer no mínimo o mesmo com outro, onde essas armas não só existem, como são ostentadas.


publicado por portalegreeomundo às 15:24
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1 comentário:
De Gonçalves Pereira a 21 de Abril de 2006 às 23:41
Definitivamente, nós os dois não conseguimos estar em sintonia!
Como tu és uma pessoa coerente, que gosta de coerência, aliás como eu, obviamente que defendes um ataque ao Irão. É o que eu depreendo do teu discurso.
No entanto estás enganada em relação a alguns aspectos.
1º- Aquando da invasão do Iraque, o mais forte argumento foi o da existência efectiva de armas de destruição maciça( facto que não se verificou).
2º- As armas ostentadas pelo Irão, são armas que nada têm a ver com o proclamado aquando do Iraque. São mísseis, embora muito sofisticados, veívulos de guerra muito modernos e afins.
3º- É obvio que a ONU não pode apoiar um ataque ao Irão, porque não se trata de uma ameaça real, efectiva e presente, mas sim de uma suposta ameaça futura, embora bem real, mas nada mais.
4º- O direito Internacional é um pseudo-direito, como aliás muitos autores defendem, pois para existir direito, têm de haver a possibilidade de efectivamente o fazer cumprir, ou seja, da efectiva utilização da coerção. No entanto isso é impossível, pois supõe (uma situação utópica) que os 5 menbros permanentes do conselho conselho de segurança da ONU, fora da alçada desta, se juntam e cometem atrocidades ao mundo. consegues dizer-me qual é a força militar que seria capaz de lhes impôr as sanções consagradas no Direito Internacional?
Como tal, a guerra continua a fazer-se como há 2000 anos atrás, ou seja, quando algúem quiser. Só que agora isso é camuflado por algum bom senso.
5º- O programa de energia nuclear que o Irão está a desenvolver na actualidade é o programa para fins civis e não militares, programa este que está previsto e é legítimo.
6º- Não se pode condenar nínguem por possíveis ilegalidades ou atrocidades futuras, pois isso seria desvirtuar a própria função da estatuição do direito, além da sua segurança e justiça.
7º- Falando apenas em termos metafísicos, qual é a base de legitimidade para uns países possuirem armas de destruição maciça e outros não? Só porque o Irão é um país muçulmano e não gosta de Israel?
Essa não me convence.
8º- Falando agora em termos prácticos, é óbvio que seria muito perigoso para o Ocidente e não só, se o Irão possuisse uma bomba atómica, mas isso não se verifica neste preciso momento, por isso, é absolutamente inconcebível uma investida armada contra esse país por um motivo que ainda não o é, se bem que é concebível e até desejável algum corte no apoio financeiro, mas nunca na totalidade, pois isso só iria fazer desabar as condições, de si já modestas, da população civil. Apenas deve ser "cortado" o suficiente para mostrar às altas autoridades Iranianas que o ocidente não pretende que o programa nuclear civil evolua até um nível militar.
Por isso, é de apostar, e sempre, na via diplomática para tentar resolver este conflito existente, e que já está a causar muitos estragos, nomeadamente a nível económico devido ao aumento brutal do preço do "crude"(embora isso não se deva exclusivamente a esta situação).


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