Quarta-feira, 26 de Abril de 2006

Oposição: faz sentido existir quando produtiva!

Desde que os meus interesses abarcam a política que assisto a um fenómeno lamentável. A forma de estar e coabitar da oposição com quem governa é sempre igual. A situação é preocupante quando a oposição não é sempre composta pelos mesmos partidos, assim como os governos, e por isso as políticas praticadas também diferem.

Sei que é crítica comum, esta da inércia da oposição, mas mesmo assim não deixa de me incomodar, especialmente quando acho que o futuro não depende somente de quem foi eleito, mas também de quem foi preterido. Principalmente porque, senão sempre, muitas vezes, os motivos que levam à votação nuns são a desilusão e o fracasso com os outros. Mesmo sendo a previsibilidade e a distracção características inatas aos portugueses, não se subestime a sua inteligência. É um facto que depois de uma política ignóbil de direita, vem sempre uma vitória (e, Às vezes, uma maioria absoluta) de esquerda, mas isto não quer dizer que os portugueses não reclamem por uma política mais profunda e por uma mudança tanto de quem governa, como de quem fiscaliza.

Sem querer ser injusta, parece-me que alguns deputados entendem por oposição uns quantos discursos eloquentes, com palavras inauditas elaborados, sempre, com base na condenação. Levam o seu papel de forma tão rigorosa que limitam o seu comportamento ao sentido mais restricto da palavra que os define: oposição. Aquilo que fazem esgota-se na crítica constante, iníqua, por vezes, assumindo o papel do juíz que só conhece a sentença.

Democracia é muito mais do que querelas políticas ou fricções partidárias. E, por isso, o que se espera de quem está na Assembleia não é o que fazem agora. Porque assim como os portugueses, e talvez por também o serem, os políticos são previsíveis. O que digo dirige-se, sobretudo ao PS e PSD, porque há décadas que outros não ocupam lugares de governação ou presidência. Enquanto estão no Governo esperam compreensão, apoio, ideias e calma. Esperança, tolerância... entre muitas outras coisas que permitam a concretização do que pretendem ou a desculpa do que esqueceram. Quando estes, que antes governavam, passam a ser a oposição mudam radicalmente, corporizando tudo o que antes não suportavam. Nada é de louvar ou apoiar. Tudo são mentiras que pretendem ludibriar o eleitorado. Os resultados são meras ilusões que tentam levantar o astral dos portugueses, há tanto desiludidos. Assim se faz política em Portugal. Mantém-se a postura arrogante e se esquece-se que o erro é inerente e criticável quando o sucesso é reconhecido.

Concluindo, a oposição deve realmente controlar, fiscalizar, supervisionar o Governo; deve defender os interesses da população, como seus representantes mais directos na Assembleia, chamando a atenção do Governo. Contudo, a sua competência não se deve cingir a um desempenho tão superficial e isenta de obrigações no presente, por não ocupar lugares de execução. Além da competência legislativa, de moções de censura, deviam ter um papel mais activo. A Assembleia não é um campo de batalha, onde uma e outra parte assumem os respectivos papeis de defesa/ataque. Nas reuniões plenárias pretende-se que exista discussão, confronto de ideias, mas soluções. Afinal de contas e no fim de tudo, não querem todos o futuro de Portugal? Ou essas são apenas frases de campanha?

Jerónimo de Sousa representa os valores embalsemados de um partido obsoleto cujas ideias contrastam com um país ávido de desenvolvimento. Está para o seu partido como Bush para o seu país, a personalidade perfeita que pelo seu perfil se deduz quem o apoia. As análises dos politólogos dizem que conseguiu o que há muito outros líderes tentavam, uma aproximação e aliança com os seus militantes. Provavelmente, porque acredita no que defende ( o que não deixa de ser preocupante). Incorpora a facção que insiste em se fazer ouvir na Assembleia, mas porque estigmatizado por criticas ébrias de uma ideologia Marxista é ignorada. Obcecado com a defesa de uma classe e com a igualdade utópica dos estractos sociais, enleia-se numa teia de críticas sem fim e, pior, sem conteúdo. Mudam os governos e as acusações são as mesmas. Somos o resultado de um meio e de um tempo. Corremos o risco de parecermos antiquados quando não respeitamos, acompanhamos e interiorizamos a mudança.

Quanto ao CDS-PP a instabilidade interna gerada pelo choque de gerações, conduz o mesmo à imagem de um partido desacreditado pelos próprios apoiantes. A vontade de efectivizar as palavras de ordem que o caracterizam não se coadunam., por vezes, com o país que temos. As ideias vanguardistas inspiradas em países-modelo, apelando à plena liberalização e pura economia de mercado, fazem dele um partido de elites, ignorado pela maioria, que se julga esquecida. Para agravar a situação ramifica-se agora. Dividido pelos que apoiam Ribeiro e Castro, um líder que, apesar de, ausente é o melhor dos piores; e um jovem que querendo assumir funções de responsabilidade, mantém os defeitos irritantes de um miúdo mimado. O CDS-PP é um partido fechado numa gaveta, para abrir daqui a alguma décadas. Quando Portugal for um país desenvolvido, isto se entretanto tiver resolvido as crises existenciais de partido adolescente.

Por sua vez o BE. Quanto à sua composição é o oposto da CDU. Apoiado, maioritariamente, por jovens é visto como o partido que defende o que os restantes menosprezam. É um partido relativamente recente, mas atraente porque vêem nele a esperança e o refúgio para a desilusão com os grandes. Peca porque vive obcecado com a justiça e esquece a eficácia. Pontua porque insiste em quebrar a redoma de uma sociedade hipócrita. Na Assembleia tomam-no como mudo, mas não faz papel de surdo e levanta a sua voz...É o único cujos meios, ainda, não justificam os fins.

No que diz respeito ao PSD, mesmo tendo um líder associado à transição, consegue manter a coesão. As suas críticas são fundamentadas e, pior, provadas. No entanto obedecem ao ciclo vicioso que caracteriza a oposição, fecham-se na contestação cíclica, fazendo do aplauso uma exepção. Tomam o partido do governo como inimigo, alvo a desarmar, unicamente por fazer parte da ala oposta. Cai no ridículo quando é presenteado com medidas que fazem lembrar governos de outros tempos, mas de direita. Reclamam por reformas, insistem no cumprimento das promessas, exigem exactidão e perfeccionismo...e quando a acção governativa retarda ou aplica determinadas medidas com o intuito de garantir tais requesitos criticam, parecendo um partido irascível. E é esta condenação monótona que afasta os eleitores. Porque para aqueles cuja vida política se resume a notícias sintéticas e imagens parlamentares de segundos, pouco têm para balançar. E o que se retém, é a imagem de um PS e PSD em que a preocupação primária e prioritária é a vitória nas futuras eleições, e não um país no rumo certo.

Em conclusão e como nota final, é preciso lembrar os tão ocupados e escondidos nas suas certezas, que o papel de um partido é fundamental num país com círculos plurinominais. São eles a via mais fácil, acessível e rentável de participar na vida do país. É bom que não negligenciem, deteriorem e difamem, só, um Governo que, por condicionado por diversos factores, ainda procura a credibilidade!


publicado por portalegreeomundo às 17:11
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