Terça-feira, 9 de Maio de 2006

O futuro para lá do amanhã!

 

 

Conjectura-se muito acerca do futuro, mas as respostas escasseiam. Soluções não existem (ou pelo menos não são a via pretendida por fugirem aos interesses de quem manda). Além de todos os litígios políticos, querelas partidárias, antagonismos religiosos e assimetrias entre países, nasce e consolida-se um novo conflito. O dos direitos. É, sem dúvida, muito fácil construir alicerces segundo os quais um Mundo se guie, mas é contrariamente e inexplicavelmente difícil mantê-los. Os alicerces são neste contexto o Direito Internacional. Há quem defenda que ele não existe, mas aqueles que acreditam nisso recusam-se a assumir um facto evidente. Aliás, já Hegel, na sua “Introdução À filosofia dos princípios de Direito” focava-o e caracterizava-o como um aspecto indispensável À convivência entre Estados. Não se discute a sua eficácia ou ineficácia; presença ou ausência; capacidade de coacção ou indulgência; só não se renuncia a sua existência.

Retomando a ideia, é inexoravelmente complicado reclamar pela diplomacia aos Estados que a este Direito decidiram subjugar-se e fazê-los respeitar a Humanidade.

Vivemos alturas de crise petrolífera e o pior ainda está para vir. É a procura que aumenta; é o aparecimento de novos necessitados: como a Índia ou a China; é o choque exógeno...Todos são motivos para a subida de preço do petróleo e, consequente, inocência dos Estados dependentes. É por isso, importante salientar que o incremento da procura acontece, maioritariamente, por culpa dos países ocidentais e sua incapacidade de satisfazerem as suas necessidades através de recursos renováveis; por outro lado, é uma verdade que a China e a Índia são um peso para os armazéns de petróleo, contudo é também preciso recordar que a discrepância consumo/população não é mais díspar nestes países (será oportuno mencionar o exemplo dos E.U.A cujo o consumo é de 25% para uma população que é apenas 5% da mundial, bem menos que a da Índia ou da China); Quanto ao choque exógeno a situação é bem mais complexa. Os direitos debatem-se com as consequências que poderão advir da sua aplicação. Antes de mais a análise não pode ser superficial, ao ponto de nos cingirmos ao que se passa agora. Há um passado a ter em conta. Entre a nacionalização das empresas petrolíferas na Bolívia e a tentativa de concretização dos projectos de energia nuclear do Irão, muitas condicionantes se  atravessam.

Reconheço o perigo que pode ser um país fundamentalista com um presidente estulto possuir armas atómicas, no entanto também reconheço o direito que lhes é devido, sobretudo quando as razões subjacentes são as que envocam, o consumo civil. Incipiente à, previsível, 3º Guerra Mundial não é o conúbio Irão/enriquecimento de urânio, mas a forma de fazer política dos países que insistem em dirigir. Não culpem a sua dependência de atitudes exteriores e mentalizem-se que os únicos responsáveis foram vocês e vossa falta de visão.

Na década de 70, quando se deu o boicote ao petróleo por parte dos países fornecedores, as potências ocidentais resolveram o drama com uma série de medidas eficazes mas temporárias. Menorizaram a ameaça, tomando-a como um acontecimento preso nos espaço e no tempo. Teoricamente foi, tendo em conta que os mesmos países voltaram a vender o petróleo. Mas na prática a situação apenas adormeceu. O primeiro indício de que nada está resolvido é a recente medida do Presidente Boliviano, Evo Morales. Este foi apenas o princípio de um confronto que ameaça ramificar-se e difícil de erradicar. Irónico é a culpa ser antiga! E, por conseguinte, as respostas serem estéreis.

Há certas áreas onde a auto-suficiência é a medida idónea para a co-habitação planetária. Enquanto era tempo não investimos (quando falo na 1ºpessoa do plural refiro-me a todos os que procuram penalizar outros com fim a evitar o inevitável, como os E.U.A, a Inglaterra, a França, a Alemanha...) nas energias alternativas e recursos renováveis. Construímos pólos de energia hidráulica, energia eólica, biomassa, entre outras, mas só nas quantidades suficientes para calar os ecologistas maçadores, nunca com o intuito de, mais tarde, dependermos maioritariamente da Natureza. Agora pagamos um preço demasiado elevado pela ausência de vanguardismo dos nossos líderes. As consequências somos nós que sofremos e os nossos bolsos. Há quem diga que esta não será a causa primordial do estado lastimável da nossa economia, mas certamente que afecta e agrava. Pior que a subida dos preços, só mesmo a submissão aos que, em tempos, tentamos dominar, fruto da necessidade de um bem que, apesar de, finito é crucial na nossa vida.

Não há como fugir ou delegar responsabilidades, os tempos são difíceis e a verdade é que não estamos imunes, não somos incólumes nem tão pouco possuímos uma defesa contundente

publicado por portalegreeomundo às 11:11
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