Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

Rock in Rio: o indício da mudança?

 

É bom constatar que, ainda, existem propósitos humanistas e optimistas. Mas, melhor ainda é vivê-los de perto! Lisboa abriu as portas a um dos maiores eventos do Mundo. Repare-se que não o circunscrevi à designação de “festival musical”, na medida em que se situa num plano muito para lá do horizonte da música. Apesar da evidente atracção que os grandes ícones da música nacional e internacional despoletaram, seria injusto se o associássemos somente a este aspecto. Rock in Rio tem uma conotação Moral e Ética! Não se restringe à euforia da multidão, louca por uma música com a qual se identifica, transcende este sentimento! Porque trespassa valores, ideais e esperança, de que a Humanidade está ávida.

Quando entramos parece que integramos uma qualquer utopia, onde a harmonia, paz e o bem-estar imperam. Mas mesmo assim, e apesar desse conforto que proporciona, é um facto que não nos permite esquecer da realidade que nos rodeia. Ao contrário de muitos outros eventos ou festivais, o objectivo aqui não é isolado ou único. O intuito não é a fuga à conduta dita normal, propiciada por um estado de loucura. Este evento, que já adquiriu uma responsabilidade social, desperta-nos para o que nos envolve, consciencializa-nos de quem somos e do que nos tornamos, envergonha-nos lembrando as atrocidades da História, descaracteriza-nos como seres dotados de razão, fazendo do Homem um ser absolutamente ignóbil…Não pretende que nos confinemos, durante os dias em que decorre, À sua redoma, pelo contrário obriga-nos a um confronto com a Existência. Afinal de contas as imagens horrendas que passam no ecrã gigante não traduzem acontecimentos de uma época presa no tempo e no espaço. Aquelas imagens são sintomáticas de uma História recheada de tantas outras simétricas. Os motivos nefastos, as necessidades frívolas e razões nocivas que corporizaram estes acontecimentos não sucumbiram com o desaparecimento dos seus mentores. Ameaçam imortalizar-se por mais 2000 anos (caso o Homem dure tanto). Inspiram gerações vindouras, alimenta o ódio que, noutros tempos, exterminou, maltratou e aniquilou. A guerra no Iraque, os litígios Irão/Ocidente, as manifestações violentas nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos não são mais do que cópias de uma Guerra Fria, Revoluções e guerras civis de outras alturas. Falo no plural porque a culpa não é fungível mas extensível a todos os que fazem parte desta espécie: os que cometeram, os que esqueceram, os que ignoraram e os que desistiram.

Como já tinha reparado Platão, a Humanidade está doente e sedenta de uma filosofia sage, capaz de reeducar. Não há espaço para a censura quando a História é cíclica e sucessiva.

Rock in Rio obriga-nos, por isso, a um estado de espírito ambivalente, cheio de sentimentos paradoxais: força e desilusão; garra e desistência; preserverança e desespero; alegria e tristeza; Sobrepõe-se a esperança. Não o sebastianismo pessimista, mas a esperança Pessoana de um novo Império assente na Moralidade e Humanidade mais límpidas, equitativas e transparentes.

Claro que para resultar na perfeição, só mesmo o conúbio mensagem/música. Parafraseando Nietzshe, é a musica que melhor identifica e caracteriza o ser. Obriga-nos a uma dicotomia, aparentemente impossível, razão e sentimentos.

Quem sabe se o rock in rio não é já um sinal dessa filosofia?


publicado por portalegreeomundo às 15:24
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