Domingo, 30 de Julho de 2006

AIgreja e o Estado!

Inaceitavelmente, a relação entre o estado e a Igreja é ainda ambígua. Entre o que se consagrou na Constituição de 1976 e o que se pratica efectivamente vai uma grande distância, o que dificulta verdadeiramente a relação entre estes dois pólos de uma Nação (?). O que me choca tremendamente é o facto do problema não ser exclusivamente português e surgir nalguns países com alguma tradição democrática.

A última polémica relativamente ao assunto controverso foi a da presença dos bispos católicos no protocolo oficial do Estado. Situação que só veio acordar o que está adormecido: a ilusão de laicidade. Pois porque esta é apenas uma das materializações do não cumprimento e não respeito pelo principio. Há mais…Primeiramente, a laicidade pressupõe separação da Igreja (seja ela qual for) do Estado (seja ele dirigido por quem for), ou seja, a Igreja não pode imiscuir-se em assuntos políticos, assim como o poder político não deve interferir nos assuntos religiosos e na relação da igreja com os seus crentes, a menos que a situação o exija. O cesaropatismo há muito que se extinguiu com os seus Imperadores, e as Teocracias são, indubitavelmente, um obstáculo, incompatíveis à democracia. Mas como dizia, o posicionamento ou presença de representação religiosa (mais especificamente católica, o que reforça a iniquidade) no protocolo de Estado é apenas uma das inúmeras contradições. Podendo focar outras: a presença de objectos alusivos ao catolicismo em estabelecimentos públicos (escolas, prisões, hospitais, etc.); o ensino de Religião e Moral nas Escolas Básicas, não existindo a possibilidade de outras religiões nas mesmas escolas; a bênção religiosa de obras públicas; a celebração de feriados religiosos… São todos atentados não só à coerência, como, principalmente, à fidelidade democrática. Isto já sem valorizar a inexistência de justiça religiosa, porque caso houvesse mínimo de igualdade teríamos de celebrizar os feriados de outras religiões, disponibilizar o ensino dessas religiões nas escolas, e aí a confusão seria gritante. Por vezes a injustiça revela-se solução (?). Independentemente da facção política e ideologia associada, um Estado tem de ser ímpio porque equâmine deve ser. E para os que alegam ser secundário e irrelevante a discussão sobre tal assunto, atendendo ao estado do país e necessidades prioritárias (como a economia, o desemprego ou saúde) não se iludam. Porque este problema é, sem dúvida, fundamental, o desprezo do mesmo não é mais do que um paliativo á verdade que é a nossa democracia. Os tempos de enaltecimento da religião católica terminaram com o fim do Estado Novo e obscurantismo imanente. É altura de findarmos com tradições obsoletas. É impossível evoluir sem romper com o passado!

Quanto ao que se passa lá fora, o paradoxo irradia-se. A Polónia vive tempos de retrocesso com os irmãos Kacynski. Voltaram à Idade Média, confundindo e compatibilizando o poder temporal com o poder religioso, o que não é certamente um bom pronuncio, atendendo aos antecedentes históricos; A Turquia vê-se confrontada com uma disputa entre a necessidade de futuro e a força do passado. Uma das exigências da U.E para a integração é a efectivação da laicidade, mas o que se constata é um fundamentalismo enraizado que pressiona constantemente a política, visível nos actos terroristas das uniões separatistas.

A igreja aparece no século XXI não como a salvação, mas como o fantasma que insiste aterrorizar os princípios democráticos. Não deixa de ser caricato verificar como esta dificuldade surge, sobretudo, nos países católicos e islâmicos, afastando-se destas controvérsias remotas os países protestantes (Inglaterra ou países Escandinavos, por exemplo). Até na religião exaltam o seu vanguardismo…


publicado por portalegreeomundo às 09:36
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