Quinta-feira, 3 de Agosto de 2006

Os meios de comunicação e o seu Norte

Remonta o século XX o nascimento da sociedade de massas e, consequentemente, de todos os seus corolários ou conjunturas que lhe deram origem. Concomitantemente às ideologias, desporto, moda, destacam-se os “media” como protagonistas de uma estandardização de comportamentos perene. Na sua longevidade e não na sua forma, uma vez que com a metamorfose dos tempos cessaram os modelos ou moldes obsoletos. Os meios de comunicação, em todas as suas vertentes, fomentaram esta necessidade de uniformização como processo obrigatório para a integração. Baniram para todo o sempre a disparidade e a multipluralidade de gostos. Criaram um conjunto, cujos extremos são as massas ou a elite. E o fosso é tão fundo que se torna praticamente impossível a sua promiscuidade. O cinema criou as estrelas que se tornaram deuses; as rádios abriram as portas da fama às músicas e músicos que desejavam ver imortalizados; a imprensa evidenciava as notícias que interessavam e assim manipulava a cultura; a televisão adoptava as imagens à notícia que queria ver como foco de atenção. Todos estes são factos irrefutáveis e subsequentes de um período histórico, e por isso inelutáveis actualmente, no entanto e o que se torna deveras revoltante é a forma como os objectivos se mantiveram e a maneira de os alcançar se tornou mais nefasta.

Cada vez mais os meios de comunicação desempenham um papel fundamental na sociedade, por uma panóplia de razões: são fontes de conhecimento, cultura, informação, educação, publicidade e formação. Uma autêntica bomba de influência e manipulação. Nada disto é condenável desde que os propósitos que os conduzem sejam verdadeiramente bons para a construção de uma Humanidade diferente. Pior do que a ausência de intervenção, só mesmo o não reconhecimento do poder desta faculdade e, simplesmente, o desprezo pelos seus efeitos. E atenção a um facto que muitas vezes se ignora, não são apenas os cérebros frágeis das crianças que estão susceptíveis, todos nós somos sensíveis, a partir do momento em que são a sede para sabermos o que se passa no Mundo, são a raiz para a construção de uma opinião e isso implica, a mínima ou máxima, influência.

Subscrevo, assim, a necessidade de um exame de consciência aos que passam e tratam a informação. Todos os meios de comunicação são os binóculos do planeta; o ponto de partida para a emancipação de uma opinião; a veracidade dos factos; o elo entre os transcendente e o que alcançamos; É realmente imperório que não menosprezem os seus alicerces ou adulterem as suas directrizes. Os seus mentores devem ser sempre: a imparcialidade, a isenção, a veracidade (e não verosimilhança) e a fidelidade aos ouvintes, leitores e espectadores.

Não estou deste modo satisfeita com o comportamento que têm adoptado nos tempos recentes. É ignóbil para os que se apercebem e deveria ser vergonhoso para os que nessas instituições estão integrados a forma como vendem a essência da sua profissão. Quando a ambição é o agrado dos poderosos em detrimento da verdade À população; quando as notícias deixam de ser credíveis para passarem a ser móbeis para a subida das audiências; quando os programas, as primeiras páginas, filmes e afins andam À mercê dos valores quantitativos e não qualitativos…o futuro não agoura nada de benéfico ou proveitoso. E se o que reclamo e exijo como consumidora é motivo para utopia, já nem o futuro do futuro é risonho.

Não obstante a todos os tablóides ou estações televisivas, realizadores ou rádios que estão reservados a esse papel de sensacionalistas, o que faz com que a sua coerência esteja infinitamente hipotecada, existem os restantes cujo desempenho respeitável durante décadas lhe tem valido o prestígio.

Esta guerra no Médio Oriente tem servido para demonstrar as teias em que o Mundo está preso, mas ainda a ambição desmesurada de alguns meios de comunicação em lucrar, em vender e em ganhar…mesmo que isso implique demarcar partidarismos e apoios facciosos, o que é frívolo. Espero que o paradigma retorne ao que os define e não permaneça no que se tornaram. A crítica ao homem e o desespero com os seus actos também é fungível a vocês. É bom que não esqueçam e não se por politiquices, vendendo a alma do jornalista: o desafio, a intrepidez e a verdade!


publicado por portalegreeomundo às 10:31
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