Quinta-feira, 3 de Agosto de 2006

Portalegre e as lacunas por colmatar!

 

      Não obstante a todas as mudanças positivas que se têm verificado na cidade, ressalta, ainda, uma panóplia de carências imperdoáveis no seio da mesma. Não sendo a perfeição um paradigma concretizável, pede-se que se assuma pelo menos o satisfatório como nível a atingir. Portalegre é uma cidade que, embora em expansão, pequena, preserva a proximidade dos governantes aos cidadãos, da própria câmara ao que acontece no local. Factor que, indubitavelmente, poderia ser garantido como apanágio de um melhor (senão perfeito, pelo menos satisfatório) desempenho camarário. O facto de tudo se saber, de facilmente nos cruzarmos com Presidente da Câmara, ou aqueles que alguma coisa decidem frequentarem os espaços onde são paliçadas as medidas que tomam (situação irrisória num centro urbano de maiores proporções) poderiam ser aclamados como benefícios, em detrimento do carácter mesquinho que lhes é associado.

Por outras palavras e fragmentando a crítica, acho inadmissível numa cidade como Portalegre, já ser difícil, ou mesmo impossível, conseguir um espaço para a prática do deporto; ou encontrar um ambiente com tudo o que nele deve estar incluído para as crianças brincarem; ou desfrutar das mínimas condições e infra-estruturas nas piscinas para pessoas com deficiências…Estas são apenas a amostra de um rol nefasto de faltas imputáveis À despreocupação camarária com o bem-estar de todos os grupos, minorias e faxas etárias existentes.

Pegando na primeira, é visível e incontestável a existência de inúmeros ringues e pavilhões em Portalegre e arredores. Qualquer estranho À cidade concluiria que aqui se promove o desporto e a saúde e se incentivam os habitantes À prática desportiva. Contudo e excedendo a ilusão das aparências, a verdade é que Portalegre consolida a imagem de avessa ao deporto. Com excepção dos desportos individuais (como o jogging, ciclismo…), que com facilidade se praticam nas serras ou asfalto, é extremamente difícil encontrar um espaço para os desportos colectivos… E o risível da situação reside precisamente no facto dos espaços existirem, mas não ser permitido o seu usufruto sem um conjunto de autorizações superiores. Assimetricamente ao que acontece noutras cidades, como Évora ou Beja, aqui um grupo de amigos que queira matar saudades dos jogos conjuntos tem de estar disposto a esperar ou desesperar; Quanto aos parques infantis, a sua ausência é evidente se deambularmos pela cidade. Extraindo um ou outro pertencentes a condomínios (como o das Carvalhinhas), são exíguos os públicos tendo em conta a população pueril. É imprescindível a construção de mais parques infantis, não só para o conforto das crianças, como também para descanso dos próprios pais. Pois se o apego ao bem-estar passasse da teoria à prática, os mesmos parques passariam a ter animadores (não com o objectivo de substituir responsabilidades parentais, mas de divertir as crianças com brincadeiras apropriadas À sua idade); Por último mas igualmente importante, a inexistência de condições minimamente razoáveis para pessoas com deficiências motoras ou outras nos diversos espaços sociais. Menciono por exemplo as piscinas para fundamentar a censura. Como é possível que em cinco piscinas no centro e zonas contíguas a Portalegre, exista apenas uma que facilite o acesso a deficientes motores. Subjacente a tudo isto está descriminação, ou de uma outra forma, somente a comodidade da maioria., defeito que actualmente é imperdoável. Valem os esforços das auxiliares e voluntários que não se conformando com as dificuldades, insistem em garantir a felicidade daqueles que a ela também têm direito.

Concomitantemente a estas lacunas existem muitas outras, na minha opinião de forma alguma secundárias. O facto dos jovens, crianças ou deficientes (não contando com os motores, claro) não garantirem a subida dos votos por impossibilidade de exercerem esse direito, não quer dizer que sejam relegados ou esquecidos. O mérito de um mandato camarário não está em presentear aqueles que nele votaram, mas em privilegiar os que se opuseram ou não puderam contribuir, demonstrando as razões porque deviam ser escolhidos. Desta forma, considero imperório a dedicação aos que, por razões diversas, não conseguem reclamar ou não se afirmem como obstáculo À reeleição, o que se pretende não é igualdade mas equidade!


publicado por portalegreeomundo às 10:32
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3 comentários:
De Ptg a 7 de Agosto de 2006 às 18:22
Parabéns pelo blog, vou linkar em www.emportalegrecidade.blogspot.com.

PORTALEGRE e o Mundo é um espaço da nossa cidade com conteúdos brilhantes.

Um abraço


De Anónimo a 28 de Agosto de 2006 às 16:30
"Quanto aos parques infantis, a sua ausência é evidente se deambularmos pela cidade. Extraindo um ou outro pertencentes a condomínios (como o das Carvalhinhas), são exíguos os públicos tendo em conta a população pueril."
Está entregue ao Município e já está degradado!


De Anónimo a 21 de Setembro de 2006 às 23:14
Muitos parabéns...continua assim e daqui a uns anos estou a dizer-te adeus do sofá lá de casa, directamente para dentro da televisor. um grande beijinho, tenho muito orgulho em ti


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