Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

11 de Setembro: continuidade ou viragem?

 

Volvidos cinco anos sob o acontecimento, media, sociólogos, filósofos, no fundo, a Humanidade propõe-se a análises profundas. Procuram-se causas, detectam-se objectivos, erradicam-se hipóteses, projectam-se planos para o futuro. Curioso é verificar, depois da leitura de excertos e conclusões de alguns desses pensadores, como a solução é tão evidente.

Partidária da filosofia Kantiana, sem precisar de materializações dos seus imperativos categóricos, constato de como as suas directrizes circundam o idóneo para uma viragem definitiva. E porquê? Fundamentalmente, porque o que somos e no que nos transformamos é o seu oposto, e a falibilidade e perigosidade desta postura é progressivamente notória. Perseguimos um culpado e procuramos desenfreadamente uma solução peremptória, quando o cerne de todo o problema somos nós (ou seja, o sujeito, remetendo assim para a Revolução Coperneciana, da filosofia de Kant). A responsabilidade de todos os ataques que o Ocidente tem sido vítima é fungível a um Oriente, e o erro reside precisamente nesta convicção errónea. Assimetricamente ao que muitos defendem ser a solução, alegar vitória sob o terrorismo para desarmar o Oriente extremista, a resolução estará em estudarmo-nos e estudamo-los.

É comportamento recorrente complicar o que simples é; procurar fora o que dentro se encontra; Verdadeiramente nefasto é quando tais atitudes transcendem o Âmbito do que afecta o indivíduo e contribui para a destruição maciça de uma espécie. Propusemo-nos no rescaldo de um embate atroz e devastador, a aniquilar o terrorismo, a encontrar os culpados do mal que nos abateu, a condenar todos os presumíveis cabecilhas… No seguimento deste compromisso perpetramos três guerras sem conteúdo ou proveito. Ficamos ébrios pela concentração em prioridades que no fim de cinco anos nos fazem sentir enclausurados num poço de inanidade.

A parte do planeta que assumimos como retardada comparativamente a uma outra desenvolvida, demonstrou uma acuidade e inteligência indubitavelmente superior, capaz de refutar o poder de qualquer tecnologia ou perfeccionismo de polícias secretas e especializadas. Somente, porque nos analisaram e sabiam, previamente, como reagiríamos perante um ataque Às nossas sociedades. A previsibilidade dos nossos actos é a sua vitória sucessiva e garantida.

Com o flagelo 11 de Setembro iniciou-se uma série de ataques bombistas aos protagonistas de uma suposta ideologia representativa de um Ocidente, e o que fizemos instantaneamente? Respondemos da mesma forma, assassinando milhares de inocentes com a mesma subtileza que nos derrubaram duas torres, rebentaram com redes de metro e tentaram fazer explodir um conjunto de aviões; descriminámos, desintegramos e diferenciámos todos os que nos nossos meios já estavam introduzidos só por serem oriundos do maior rival; No fim não contrariámos a tendência e começámos a disparar em torno das nossas fronteiras, como cegos, esperando acertar no alvo certo. O que se destaca como característica central de qualquer sociedade contemporânea, o multiculturalismo, é a resposta para o problema que nos atormenta e nos torna impotentes. Tido como derrota para todos os grupos extremistas e terroristas é entre as mortes que pretendem, existirem mortes dos que protegem e fazem causa desta “guerra santa”. O que move o que a eles se juntam e aliam é a raiva e frustração de ser, mesmo sem culpa, réprobo. De não conseguirem de forma perene o lugar que conquistaram sem estarem constantemente ameaçados por o estigma da cultura de onde provêm. Basta invertemos as conjunturas, para os efeitos divergirem. Aceitarmos como parte integrante, incluirmos no “nós” os que aqui vivem, independentemente das suas correntes religiosos ou países natais é o primeiro passo. Considerarmo-nos Humanidade é a atitude acertada para protelarmos a paz que aceitamos como valor idealista. Quando muçulmanos fizeram parte do Ocidente porque aqui estudam, trabalham, vivem… os talibans, Al-quaeedas, Hezbollah e outros perderão toda a sua base de sustentação e contradizer-se-ão sempre que atacarem qualquer um desses países. Os seus fins perderão consistência entre os seus, e o desejo de acabar connosco porque pretendemos acabar com eles, será substituindo pela vontade de destruir todos os grupos que se aproveitem da sua cultura para cometer actos abjectos. Poder-se-ia advogar que a situação mencionada já acontece, afinal de contas não é difícil cruzarmo-nos com alguém que pertença a outra lado do planeta, exteriormente isso acontece, é um facto. Mas e interiormente? Consideramo-los cidadãos, civis, humanos? Detentores de iguais direitos, apanágios e justiça? Ou cada vez que qualquer um comete um acto reprovável banimos o todo? É esta iniquidade que nos relega para a incapacidade de vencer este monstro crescente que é o terrorismo!


publicado por portalegreeomundo às 17:39
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