Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

Irão: o percursor do pan-islamismo!

Excedeu-se o tempo limite estipulado ao Irão pelo Conselho de Segurança. A ONU, demarcando-se inauditamente do autoritarismo americano, resolveu conceder um prazo com o intuito de demover as intenções nucleares de Teerão. Não obstante aos bons propósitos da condescendência, a verdade é que foi em vão, como era de prever. O mais nefasto da situação foi a irrefutável carência de acuidade da ONU, contribuindo para a já débil imagem que transporta. Isto porque não era difícil perceber que o Irão nunca iria ceder a qualquer pressão preconizada pelo Ocidente, sendo esta liderada porque país fosse. Infelizmente e vergonhosamente, a ONU é vista como o meio para o Ocidente desenvolvido concretizar os interesses da Europa dos grandes e dos três pesos pesados: China; EUA e Rússia. Portanto uma instituição repudiada por todos os avessos À hegemonia ocidental.

Este apanágio concedido ao Irão para o fazer retroceder foi um embuste, um ultraje, o inevitável era a continuidade da política que o Irão anunciou logo no início. O facto de aceitar e não resistir sequer a essa prerrogativa, a não ser via verbal, foi mais uma forma de humilhar os que se julgam detentores de influência mundial. Demonstraram estarem bem convictos e determinados quanto Às ambições relativamente ao seu país e alianças com outros. A energia nuclear, que alegam ser para fins civis, é a primeira de muitos reflexos da sua pretendida supremacia oriental e consequente confronto com os EUA. Para além do que aspiram a curto prazo e primeiramente: a produção da energia nuclear, conseguiram destabilizar e minar a coesão e força de uma facção do Mundo, a tida como “boa” e ponderada. Revelaram-se, surpreendentemente, perspicazes na forma como conduziram todo este trajecto: nunca se resignaram perante pressões exteriores e superiores; sempre contundentes à hostilidade americana, transformaram-se no paradigma muçulmano. Souberam manipular a seu favor todo o contexto político-militar subjacente (período deveras conturbado com a recente e ainda quente querela entre Israel e Hezbollah), nunca pondo em perigo a segurança do país. Apesar das sanções serem uma possibilidade, existiu e existe a consciência de que, dadas as circunstâncias, são qualquer coisa de pouco verosímil.

Depois de uma intervenção desastrosa no Iraque, dificilmente o elo anglo-americano se arrisca a declarar uma guerra sem meditar devidamente, o que implica conferências, acordos e reuniões, ou seja, muito tempo! A acrescentar o Irão ainda se sente seguro pela relutância da Rússia e China quanto à aplicação das já mencionadas sanções, países com poder no seio da ONU. Depois de uma série de ajudas goradas por parte dos EUA (como o caso do Iraque ou Afeganistão), esta insistência e consequente (presumo!) materialização do plano nuclear pode ser encarada como mais uma derrota para o mentor do Ocidente. Vitorioso sai o Irão perante o seu povo, os países contíguos e o Mundo. Fragilizou a superioridade de uma justiça internacional e reforçou a sua supremacia com os congéneres, Síria e grupos extremistas do Islão. Peremptório nos seus objectivos e dissimulado nas suas estratégias (como o apoio militar ao Hezbollah) ascende a um patamar de país a respeitar e temer!

Pior é que não nos atrevemos, sequer, a reclamar por coerência e rectidão com o que em tempos foi a sua palavra (assinatura do Tratado de não Proliferação Da Energia Atómica), pois o esquecimento da Humanidade em prol dos interesses de uma Nação é prática habitual. Assim vejo-me obrigada a subscrever a euro-deputada socialista Ana Gomes: Israel perde; Hezbollah perde; Ocidente perde e logra o Irão!


publicado por portalegreeomundo às 17:46
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