Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006

Religião renega o papel secundário!

 

Trespassamos um dos períodos mais complexos e, consequentemente, angustiantes de todos os tempos. A procura de uma orientação e localização certeira de instituições, organismos e serviços; ideologias, crenças e posições…afoga-nos numa confusão inaudita e desconcertante. Mais do que nunca as palavras ferem e incitam a matar, destruir, magoar e aniquilar. A importância de quem as profere é parcial, preponderante é o seu conteúdo. Especialmente quando o receptor espera ansiosamente pela oportunidade de as manipular e corromper.

Desde há muito que a laicidade é um requisito para as democracias. Não obstante aos resquícios religiosos que ainda possam existir nesta forma de governar, o facto é que agora se procura o afastamento definitivo. Contudo é, igualmente, um facto (e este ameaçadoramente inelutável) que, independentemente da parcela do Mundo e correspondente estado de desenvolvimento, a religião (seja ela qual for) ainda detém um papel fundamental. Sob todos os crentes, mas também sob todos os outros.

Ilustrativo desta situação inegável, foi a reacção ao discurso do Papa Bento XVI. Antecedente À crítica, há que atender À forma como três frases compreendidas num tempo e num espaço, enquadradas num contexto específico provocaram um corrupio generalizado. Meios de comunicação, estadistas, políticos, igrejas e outras religiões, propuseram-se no imediato a interpretar, extrapolando ou desculpando, as palavras de Sua Santidade. E tudo porque vivemos num período conturbado politicamente, socialmente e economicamente, mas essencialmente, destabilizado religiosamente. Irónico é verificar que na fase em que a Humanidade insiste na separação contundente, a religião insurge-se como fomento de todas as restantes instabilidades. Seja álibi ou facto; motivo verídico ou mero revestimento, a verdade é que isto sucede em pleno séc. XXI, onde de uma forma bárbara se voltam a falar dos Cruzados e Conquistas, Impérios e hegemonias eclesiásticas, materializando com ataques estas aspirações.

No que diz respeito ao Papa, entidade suprema da igreja católica, é inolvidável a falta de sensibilidade na escolha do excerto. Era, indubitavelmente, uma parte recheada de adversidades e, por isso, propícia a ferir susceptibilidades, suscitar radicalismos e rejeições. Contudo e apesar da falha reconhecida, também houve de quem ouviu a vontade de circunscrever a mensagem ao seu sentido estrito. Daqui ao incêndio de igrejas, comparação com os desenhos de Maomé ou acusação do Papa como mais um que contribuiu para a beligerância entre religiões, foi um passo. Ignóbeis foram todas estas inerências, pois evidenciam a avidez de conflito e a aversão ao apaziguamento dos Ânimos. É vergonhoso que um homem fique marcado e seja culpado pela frivolidade do conjunto.

Desta forma, recai também sobre os líderes mundiais, personalidades e mentores de multidões aproveitarem-se da influência de maneira a contrariarem esta tendência de violência que se iniciou na terça-feira e não acabou, nem acalmou. Simultaneamente À obrigação de segurar estes movimentos, surge a necessidade de reflectir e tirar elações. Tal acontecimento não pode ser circunscrito à sua particularidade, tem de ser visto como mais um reflexo da irritabilidade e anelo de concretizar estas hostilidades crescentes, aproveitando-se de tudo!


publicado por portalegreeomundo às 23:08
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