Domingo, 22 de Outubro de 2006

Não é um dia…

 

O dia 5 de Outubro é aclamado e festejado em Portugal como um ponto de viragem. Foi um momento: em tempos de um Golpe de Estado que destruiu a monarquia obsoleta e inepta; actualmente, como dia propício à reflexão. A precariedade do Estado da Nação impele à consciencialização da crise de identidade que prolifera. Crise que corrói qualquer concepção positiva do que somos e ridiculariza quem profere veemente que o que nos tornamos é algo de, exclusivamente, louvável. Não se trata de um prelúdio ao manifesto do pessimismo, mas tão só de uma reclamação À objectividade.

A História faz todo o sentido sempre que não seja confinada ao mero contacto com o passado, mas interpretada como um impulso À mudança e aprendizagem. A apreensão da importância e profundidade dos pontos de referência antecedentes é um meio para encontrar a orientação idónea ao contexto. Somos um resultado do passado assim como a oportunidade de o contrariar (quanto negativo ou censurável!).

Após 94 anos de democracia, a efectividade da ideologia logrou. Surge como um valor perene e inexorável. Desde logo e nitidamente, em tudo em que se repercute: o multipartidarismo é inegável (simultaneamente À possível redução do número de deputados, aparece um novo partido, PND, assegurando-se a representatividade política divergente); os entraves financeiros, sociais ou educativos ao exercício político são, agora, visão de um passado longínquo; a separação de poderes é indubitável (mesmo com a coabitação!) …Contudo, este progresso indubitável no formato de exercício da democracia é confrontado com um retrocesso no cumprimento completo da essência da democracia. Os obstáculos de outrora pereceram, mas a liberdade permanece valor incompleto. Os cargos políticos são remunerados facultando o acesso à política de qualquer extracto social; deixaram de ser vitalícios e hereditários combatendo as plutocracias oitocentistas; o sufrágio universal substituiu o censitário, garantindo a participação da massa em lugar da minoria influente. No entanto a precursora da democracia é consecutivamente ignorada. Apesar de a causa não ser a autocracia, oligarquia ou monarquia, a verdade é que a liberdade de expressão, comportamento e pensamento ainda não é um alicerce incorruptível. De uma forma bem camuflada e revestida de bons intuitos, somos o resultado de um taylorismo social e intelectual. Compelidos a pensar de uma certa forma, comportamo-nos uniformemente e expressamo-nos resignados, aprisionados a intenções indulgentes.

Numa altura em que é imperório o enaltecimento de um indício pioneiro da evolução, é indispensável a meditação. O objectivo não é um chauvinismo exacerbado ou laxismo condenável. Não se pretende a obsessão pela pátria ou repúdio pelas leis que nos regem. O desejado é exorcitar o patriotismo como um obstáculo À proscrição e ostracismo de uma Nação. Cada vez mais cedemos a uma influência supra-estatal. De uma forma nefasta! O apego a uma identidade europeia ou global não implica desprezo pela unidade nacional. Somos homens, europeus mas, ainda, portugueses!

Prescindir de uma identidade remota, e de forma alguma antiquada, e da hegemonia fronteiriça é abdicar e relegar a História. Subestimar o país não é o caminho para a aproximação a uma globalização prometedora. O V Império não era aspiração ao universalismo sem escrúpulos, mas a recuperação da intrepidez de um povo e emancipação de uma cultura. A identidade passou de unidade a pluralidade. Não basta enaltecer os dias mas paralelamente as suas conquistas, valores e ambições!


publicado por portalegreeomundo às 01:05
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