Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

É fácil quando aceitamos o difícil!

 

O medo é o substracto da insegurança e a última o motivo para a letargia. O receio fomenta o afastamento da conjuntura que nos imputa a sensação de sermos anódinos, porque como comuns humanos temos uma incomensurável dificuldade em lidar com o que, ainda que temporariamente, nos faz sentir menores. Ostracizamos, contudo, que é quando aceitamos, mesmo que por momentos, ser pequenos nos tornamos maiores!

É irrefragável que a vida deve ser deleitosa e maioritariamente susceptível de regozijo e ledo. Todavia, é concomitantemente iniludível que não há refulgência sem crepúsculo. O sacrifício não é perene e deve ser inusitado, mas o esforço, o ímpeto, a procura e a luta são imperórios e contíguos à felicidade. E só aqueles que conheceram a escuridão logram desfrutar a plenitude do reverberado.

Desconheço se é tendência remota, característica intrínseca, defeito endémico ou simplesmente displicência, a verdade é que actualmente a frustração, a desilusão, a depressão e a insatisfação tornaram-se sentimentos típicos. E isto porque desistimos de pensar, ou melhor, reflectir. Invertemos o processo, em lugar de procurarmos as causas, transitamos imediatamente para identificação dos réprobos. Como essa culpa é, quase sempre,  limítrofe à fronteira da nossa conduta depressa insistimos na proscrição, porque os erros são das poucas garantias para a vida e é desgastante a convalescença recorrente. Considero o estado de “HOJE” o mais ignóbil, é o neutro. Nem triste, nem contente, onde o “cá se vai andando” é elucidativo do estoicismo relativamente ao que era suposto a vida provocar naqueles que são a sua personificação.

É primordial termos a humildade de considerarmos estar errados, a fatuidade de sermos capazes, a capacidade de nos sentirmos débeis e descontentes, a naturalidade de encararmos a infelecidade um estado anímico como tantos outros e portanto efémero. Se hoje é difícil ser feliz é tão somente porque a proporcionalidade entre ambição e luta é inversa. Almejamos sem limite, mas para a concretização somos tetraplégicos.

A capacidade de coabitar com a derrota é uma virtude sempre que, em conúbio com essa, existir a consciência que o que nos transcende é irrisório. É a incapacidade de conviver com a derrota, com a admoestação e a falha que nos compele a escolher a alternativa aparentemente mais fácil e célere. Portugal está estagnado porque os Governos precedentes foram incautos; a democracia não alcança o seu objectivo fulcral: o consenso, porque a oposição culpa o partido líder e o último é surdo às suas propostas; os alunos não passam porque os professores dificultam; os professores não vingam porque os alunos são insuportáveis; a economia é outro sintoma do marasmo porque os portugueses são indolentes; a população não é afanosa porque não é monetariamente compensada de forma satisfatória; a Humanidade não aplica o que é alvitrado para minimizar o flagelo ambiental porque é inevitável; a referida calamidade é inelutável porque o homem a considera uma aporia. Isoladamente não somos felizes porque não temos o emprego que aspiramos, estamos sozinhos ou mal casados, vivemos onde não queremos, somos indigentes porque a materialidade nunca é demais, no entanto indago: procuramos um outro emprego e se tal for realmente impossível, dedicamo-nos o suficiente ao que temos tentando ser altamente profissionais ao ponto do que se tornou trivial voltar a ser um desafio? Respeitamos o tempo do tempo ou sucumbimos a quem está caucionado mesmo que essa pessoa não nos transporte para a poltrona do inefável? Em lugar de ver a união definitiva a alguém como um condicionante à liberdade, tentamos recuperar o principal alicerce de qualquer relação? Atribuímos e valorizamos o que temos tantas vezes quantas as que nos lamentamos o que não temos? Perguntas retóricas porque as respostas ficam connosco.

A perfeição não é a meta porque urge a aprendizagem. O “impossível”, o “nunca” é o que nos conduz ao precipício. A ponte existe, as vertigens podem ser insuportáveis mas do outro lado a estrada continua....


publicado por portalegreeomundo às 22:21
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É fácil quando aceitamos o difícil!

 

O medo é o substracto da insegurança e a última o motivo para a letargia. O receio fomenta o afastamento da conjuntura que nos imputa a sensação de sermos anódinos, porque como comuns humanos temos uma incomensurável dificuldade em lidar com o que, ainda que temporariamente, nos faz sentir menores. Ostracizamos, contudo, que é quando aceitamos, mesmo que por momentos, ser pequenos nos tornamos maiores!

É irrefragável que a vida deve ser deleitosa e maioritariamente susceptível de regozijo e ledo. Todavia, é concomitantemente iniludível que não há refulgência sem crepúsculo. O sacrifício não é perene e deve ser inusitado, mas o esforço, o ímpeto, a procura e a luta são imperórios e contíguos à felicidade. E só aqueles que conheceram a escuridão logram desfrutar a plenitude do reverberado.

Desconheço se é tendência remota, característica intrínseca, defeito endémico ou simplesmente displicência, a verdade é que actualmente a frustração, a desilusão, a depressão e a insatisfação tornaram-se sentimentos típicos. E isto porque desistimos de pensar, ou melhor, reflectir. Invertemos o processo, em lugar de procurarmos as causas, transitamos imediatamente para identificação dos réprobos. Como essa culpa é, quase sempre,  limítrofe à fronteira da nossa conduta depressa insistimos na proscrição, porque os erros são das poucas garantias para a vida e é desgastante a convalescença recorrente. Considero o estado de “HOJE” o mais ignóbil, é o neutro. Nem triste, nem contente, onde o “cá se vai andando” é elucidativo do estoicismo relativamente ao que era suposto a vida provocar naqueles que são a sua personificação.

É primordial termos a humildade de considerarmos estar errados, a fatuidade de sermos capazes, a capacidade de nos sentirmos débeis e descontentes, a naturalidade de encararmos a infelecidade um estado anímico como tantos outros e portanto efémero. Se hoje é difícil ser feliz é tão somente porque a proporcionalidade entre ambição e luta é inversa. Almejamos sem limite, mas para a concretização somos tetraplégicos.

A capacidade de coabitar com a derrota é uma virtude sempre que, em conúbio com essa, existir a consciência que o que nos transcende é irrisório. É a incapacidade de conviver com a derrota, com a admoestação e a falha que nos compele a escolher a alternativa aparentemente mais fácil e célere. Portugal está estagnado porque os Governos precedentes foram incautos; a democracia não alcança o seu objectivo fulcral: o consenso, porque a oposição culpa o partido líder e o último é surdo às suas propostas; os alunos não passam porque os professores dificultam; os professores não vingam porque os alunos são insuportáveis; a economia é outro sintoma do marasmo porque os portugueses são indolentes; a população não é afanosa porque não é monetariamente compensada de forma satisfatória; a Humanidade não aplica o que é alvitrado para minimizar o flagelo ambiental porque é inevitável; a referida calamidade é inelutável porque o homem a considera uma aporia. Isoladamente não somos felizes porque não temos o emprego que aspiramos, estamos sozinhos ou mal casados, vivemos onde não queremos, somos indigentes porque a materialidade nunca é demais, no entanto indago: procuramos um outro emprego e se tal for realmente impossível, dedicamo-nos o suficiente ao que temos tentando ser altamente profissionais ao ponto do que se tornou trivial voltar a ser um desafio? Respeitamos o tempo do tempo ou sucumbimos a quem está caucionado mesmo que essa pessoa não nos transporte para a poltrona do inefável? Em lugar de ver a união definitiva a alguém como um condicionante à liberdade, tentamos recuperar o principal alicerce de qualquer relação? Atribuímos e valorizamos o que temos tantas vezes quantas as que nos lamentamos o que não temos? Perguntas retóricas porque as respostas ficam connosco.

A perfeição não é a meta porque urge a aprendizagem. O “impossível”, o “nunca” é o que nos conduz ao precipício. A ponte existe, as vertigens podem ser insuportáveis mas do outro lado a estrada continua....


publicado por portalegreeomundo às 22:19
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As palavras não chegam...

 

Uma viagem é indubitavelmente uma descoberta!

Partimos para encontrar. Tudo está minimamente definido. Locais incontornáveis, espaços inefáveis, monumentos fulcrais, museus cruciais...Os critérios são o emblemático, o histórico e o marcante. A fronteira entre imaginação e a racionalidade torna-se dúbia, porque os sonhos misturam-se com as conjecturas. A precariedade erradicada pela informação e globalização das imagens faz da insegurança, julgamos nós, estado anímico de outrora. O facto de estarmos porfiadamente onde nunca estivemos exorta a arrogância de dominarmos um Mundo por desvendar.

Mas no momento em que levantamos o pé da terra pária e o acentamos no lado de lá, intelegimos que o que nos aguarda transcende o poder dos sentidos; percebemos que se antes fazia sentido sair para conhecer o que nunca se tinha visto, agora faz mais ainda porque a clivagem entre o que obsequiamos e experienciamos é incomensurável; constatamos que o país é apenas uma inerência subsidiária quando comparada ao que passamos a conhecer de nós durante o périplo.

Irrefutavelmente paradoxal, mas a verdade é que é quando saio que te percebo melhor Portugal e torno-me concomitantemente menos indulgente contigo. Protelar é arriscar e desesperar! Delegar responsabilidades pode ser determinante na escolha de um futuro: vaguear ou vingar! Admirar o alheio é exíguo quando a contiguidade é assumida como quimera!

O desconhecido torna a diferença real. Não pelo seu número ou multiplicidade, mas porque lá fora sou eu quem procura um lugar. Sou eu a diferença no meio da similitude. Quem visita e quem reside são os extremos antagónicos de um sítio comum. A trivialidade e a novidade pertencem ao mesmo espaço. Aqui a vida e o que a caracteriza parece-me plausível, simplesmente natural e impossível de ser de uma outra forma. Lá, a presença na varanda de uma casa, a corrida ao longo do rio, a ida para o emprego, o descanso numa esplanada, a entrada na universidade ou a compra do pão são hábitos estranhos. Inexplicavelmente, ostracizo que as nacionalidades são inúmeras mas a Humanidade é una!

Deslizo nas prolongadas avenidas e percorro os livros de História e Geografia que estudei e me mostravam que a assimetria existe. O meu corpo é mudo porque o ignoro, o cansaço físico não subsiste à ânsia de me apropriar das gentes, do que me rodeia, do que os conselhos olvidaram e o turismo menospreza.

Volto isenta de saudosismos, expurgada de qualquer nostalgia e imune à melancolia. Não porque sinta que sei que este é o meu lugar, mas porque vivi. A mala levou sonho e trouxe momentos. Mais importante que o início de um cosmopolitismo, é sentir que materializei o que numa viagem é imperório: a aprendizagem e a mudança.

Retorno incapaz de fugir á comparação entre o que vi e o que vivo diariamente, consciente que o meu país continua pequeno para gente que conceba o horizonte e não se contente com um limite tangível, mas certa que nada é irreversível. Pior que não ser grande, é desejar permanecer anódino. A conjuntura é adjuvante, todavia é a pertinácia o decisivo. É iniludível que lá fora o desenvolvimento é visível e o progresso nítido, contudo é a perseverança a gasolina de um motor que nunca pára.

A viagem por um país furtivo, foi a viagem por tudo o que acreditava conhecer tão bem: eu, vocês (portugueses) e nós (Portugal). Admoestar não resolve, acreditar soluciona. Não está bem, melhora; se acredita, tenta; se está cansado, descansa. Não pára de perseguir qualquer coisa. Carência de um objectivo é o elixir do marasmo.

 

 

 


publicado por portalegreeomundo às 22:17
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Quando não se respeita a ordem da Natureza!

Pior que a existência das iniquidades é a displicência de quem as pratica!

A precariedade e carestia não são mais realidades de sociedades subdesenvolvidas, mas obstáculos que qualquer sociedade actual é compelida a superar ou pelo menos lidar. O que diferencia os países não é a miséria ou riqueza, mas somente o formato da pobreza e o que a espoleta. Nos considerados em período de convalescença de flagelos de outrora, como guerras fratricidas, a penúria é um corolário de uma conjuntura política, social e económica incipiente. Nos restantes, estandarte do vanguardismo e promovidos a arquétipos dos precedentes, a insegurança e indigência é um efeito subsequente da inépcia em gerir recursos e preservar o papel fulcral do Homem na produção independentemente das inovações do progresso.

Confirmando o típico, os paradoxos são frutíferos também no âmbito respectivo. É curioso constatar que a formação e a panóplia de experiências, um curriculum enriquecido e um período académico paradigmático são hoje auspícios para um futuro patibular em lugar de um  refulgente e promissor. Promove-se, e bem, o investimento na formação escolar, constroem-se alternativas para aqueles cujas aspirações não consideram o meio universitário, contudo proscreve-se o imperório: a possibilidade de efectivação de sonhos que se alimentam e perseguem no périplo do crescimento.

 Não obstante o facto de assumir como crucial encarar-se qualquer escolha como um fim em si e não apenas como um meio, é incomensuravelmente soturno um curso ser somente sintomático de realização pessoal e a sua finitude ser o início de um caminho obscuro porque incerto e angustiante. A sociedade sofre mutações ingentes, identificando-se aliás a emergência de um novo estracto: o “precariado”. Conjunto de indivíduos altamente qualificados cujos apanágios são precisamente empregos esporádicos, efémeros, facilidade de despedimento, ordenados irrisórios e dificuldade ou impossibilidade de ascensão. Confrangedor é quando os réprobos são furtivos ou estão elididos: os políticos, o Estado...todas as instâncias que dada a volatilidade dos seus representantes acabam sempre por ser incompósitas e sair incólumes. Adjuvante a essa inocência é a inefável retórica destes líderes que fazem das características de agora realidades inelutáveis.

Os défices e crises económicas recorrentes são argumentos temerários para a aceitação de sacrifícios em prol de períodos reverberados quando suscitados pela má gestão, expensas inadvertidas e conspurcação nos órgãos de soberania e direcção.

Neste caso sou a voz do povo e portanto prolifero as assumpções do senso comum. A estandardização na política é indubitável quando os protagonistas do ping-pong político prorrogam as condições presentes; as promessas risíveis  fazem de nós ludibriados voluntários porque estiolam no momento que findam as campanhas eleitorais; as prelecções são inanes porque o intuito com que são consignadas é exclusivamente persuadir e não perscrutar a sua materialização num futuro limítrofe;

A política é um antro ignóbil onde os seus mentores procuram somente visibilidade,  mediatização e a saciedade de uma necessidade remota: a avidez de poder, olvidando repetidamente que o silêncio da multidão se deve à confiança delegada naqueles que se comprometem com as suas causas.

Sou uma néscia em matéria de retoma económica, todavia não sucumbo ao capital cultural dos exímios no assunto. Acredito que as reformas realizadas nos tempos que correm são de facto prementes. Corroboro a tese dos que atestam a reestruturação da função pública, saúde e ensino se a sua concretização não for indissociável da aleatoriedade no escrutínio de quem é dispensado. Confinarmo-nos aos números, despedindo a quantidade apontada como necessária,  é menosprezar competência e probidade de quem exerce os cargos com o maior zelo. Ignorármos que são dispensados casais, únicos membros que garantem a subsistência de uma família, é aplicarmos paliativos e não soluções.

Invertemos os papeis com estas medidas, em lugar da economia ser um meio para incrementar o nível de vida da Humanidade, é o homem o trucidado paulatinamente em prol do cumprimento dos níveis económicos alvitrados pelas organizações supra-nacionais.

Confesso que a diminuta indulgência que persistia perece quando constato que essa conduta parcimoniosa é sobejamente selectiva e coarctada a determinados grupos. Serão preponderantes cada um dos acessores e secretários dos ministros, deputados e seus congéneres? Serão os mesmos indivíduos de tal forma ocupados ao ponto de todos carecerem de motoristas? Será a celeridade e conforto obrigatoriedade incontornável ao ponto de as únicas marcas possíveis serem Mercedes, BMW ou Audis? Onde se encontra o comedimento e a frugalidade alvitradas pelos nossos regentes? É hora do grupúsculo dos intocáveis ser dizimado!

A reposição e equilíbrio no orçamento de Estado não é atingido apenas com o incremento das receitas, via impostos e privatizações, ou mediante o recrudescimento das despesas com o pessoal...Verificando que existem medidas que em conúbio com as últimas são idóneas, transcende a minha compreensão como pessoas de uma inaudita inteligência as olvidam incessantemente.

O Estado-Providência desfalece e o emprego, a saúde, o ensino e a habitação passam a ser alicerces quiméricos, indultos de uma sorte.

O Estado está anémico, não pela tibieza dos seus cofres, mas pela debilidade e fatuidade dos que o representam. Os frutos nascem quando as raízes se encontram num estado salutar...e nós queremos os frutos sem regar as raízes!


publicado por portalegreeomundo às 22:15
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Quando a predisposição da “causa” não repara os sintomas do “efeito”!

 

 

 A vida não pára...

Enquanto crianças não sentimos o tempo e o mesmo é somente sinónimo de crescimento, mudança de escolas, alteração de números e experimentações. A descoberta impera. Somos curiosos também porque não conhecemos mas essencialmente porque queremos desvendar.

Porque o Mundo é qualquer coisa digna de perscrutação.

Quando a idade imberbe já limia a adulta o tempo reclama a maturidade e a mudança. Os pais não sustentam as nossas quedas e passam a instância omnipresente em qualquer conjuntura. O apoio é caucionado, independentemente de todas as vicissitudes, pelo amor inelutável mas as decisões deixam de ser prescritas e são apenas o resultado do livre arbítrio ; os avós, ainda que refúgio perene não são a imunidade capaz de erradicar qualquer monstro que ameace a nossa confiança, conforto, segurança e sobretudo ausência de medo; a nossa casa deixa de ser a redoma impenetrável para passar a ser o espaço do qual partimos para sempre mas voltamos por sabemos que ali podemos colmatar todas as lacunas emocionais que a Caixa de Pandora que o Mundo se tornou nos legou e imputa.

Lidamos, todavia, da pior forma com esta alteração de relação com o exterior. A erradicação dos alicerces que outrora mediavam a nossa relação com a Humanidade e o Mundo torna-nos exangues e paulatinamente oblitera o ímpeto da sublevação e de curiosidade ingentes nos tempos pueris. A responsabilidade faz de nós seres frágeis, a independência deprimentes e a dificuldade desistentes. Crescer não é sintomático de solidão apenas emancipação com tudo o que lhe é imanente. As pessoas não perecem, apenas pretirem das funções que tiveram em tempos precedentes.

Os que vão deixando de crescer e passam a amadurecer comportam-se como meninos rudes que rejeitam a oferta dos nossos predecessores: a passagem do leme! Queremos ser eternamente guiados, quando esta é altura idónea para conduzirmos. Subscrevendo Pessoa, É Hora! De deixarmos de refilar para passarmos agir, de abdicarmos de nos zangarmos quando as expectativas são goradas para pugnarmos e conquistarmos, de prescindirmos de nos rir, admoestar e reprovar os erros das gerações antecedentes e comprovarmos que somos melhores. Não porque providos de apanágios genéticos inauditos mas porque nos dedicamos, aprendemos, ouvimos e acreditamos que a metamorfose é afanosa mas nunca quimérica.

Falo para ti, para mim e para nós: jovens da era em que tudo é efémero, inane e rapidamente volátil. Deixemos de nos afirmar com cigarros, bebida, drogas, sexo e hip-hop...Não se quer uma geração de filósofos sagazes e comedidos, mas também não se pretende uma geração a transbordar de vícios que espoletam a degeneração: o consumo, o mutismo e o narcisismo! Façamos da mudança o traço fulcral susceptível de ascender a paradigma às gerações vindouras. É premente trucidar essa tendência cíclica de sucumbir à corrente e nos tornámos cópias do que nos irritava e repugnava na conduta dos mais velhos.

Acolhemos os ícones de tempos remotos e gritamos Che Guevara, manifestamos copiando os modelos do Maio de 68, somos avessos ao regime e só falamos de sistema, que sinceramente até hoje ainda não entendi bem o que é, mas desconhecemos a crise no Darfur, pouco nos importa as guerras perpetradas, a exploração infantil e o cataclismo ambiental, onde todos os valores que esses arquétipos preconizaram desfaleceram. Queremos liberdade sem acolher a autonomia que é condição indissociável, exigimos democracia e igualdade mas ainda simpatizamos com ideias extremistas e fundamentalistas oriundas de ideologias fascistas e comunistas, fazemos campanhas satíricas onde encontramos similitude entre camelos e  ministros e no momento das eleições a abstenção é endémica.

As práticas da Revolução Industrial prevaleceram e nós somos o resultado das máquinas de ludibriar desta indústria cultural: estandardizados na maneira de estar, de agir, de vestir e automatizados na maneira de pensar e intervir, ou eximir-se de interferir.

“Morangos com Açúcar” em excesso neste caso tem um efeito assimétrico ao previsto: anemia e debilidade mental!

E o tempo corre...Nós julgamos que esperamos e alcançamos, mas o Mundo espera e desespera!


publicado por portalegreeomundo às 22:13
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A solução está dentro!

 

A saudade é eterna…

A fatuidade de adolescente e a credulidade exacerbada no poder da razão fez-me acreditar que este sentimento pungente podia ser trucidado. O hábito, o estoicismo, a clarividência e a consciência que existem situações que são inelutáveis educariam e atenuariam…

A obliteração é quimera, mas o recrudescimento é da mesma forma utopia.  A substituição é impossível  e ainda que novas situações sobejamente fantásticas me sucedam e passem a fazer parte da minha vida e de mim, a carência não é colmatada. A saudade é a afirmação e a confirmação da ipseidade e da unicidade, da aura de cada coisa e de cada um.

A saudade perene não e somente indissociável dos que pereceram e do que findou, mas igualmente do que persiste. A dimensão, a quantidade e a proporção mesmo confrontadas com a repetição mantêm-se. Vou e volto, estou com os de cá e torno para os de lá, contudo continuo a sentir o buraco lancinante da primeira vez que abandonei o sítio de onde não sou, mas que se tornou o meu, e as pessoas que vão ser sempre as minhas ainda que se entreguem a muitos outros. Abraço com mais força, incremento o números de beijos, falo sem parar, repito incansavelmente o quanto gosto tentando erradicar a avidez que se acumulou e procurando caucionar reservas para um futuro, que sei que será, confrangedor. Inspiro este ar de uma serra paradisíaca expurgando a sujidade entranhada, cego de olhar para um sol verdadeiramente refulgente, ouço e escuto os barulhos indizíveis de um silêncio que só existe neste aqui. Não obstante a contumácia, as minhas armas manifestam-se sempre ineptas e fazem de mim um ser continuamente inerme na beligerância com a saudade.

Apesar de imberbe, senti que cresci. Não somente porque gosto muito de ouvir, por vezes mais que falar (finalmente, entendi que não é por  acaso que somos providos de um par de ouvidos e apenas uma boca), mas concomitantemente porque os sentires são o único âmbito que me permito dizer com todo o orgulho que desisti! A insistência passou a ser não ter vontade de lutar e lograr dizimar, mas aceitar porque o sentir é a verdadeira prova da humanidade. A letargia não é só um corolário da recusa ao pensamento, mas também fruto da indolência ao sentimento.

Reparei que o egoísmo, a displicência e a pusilanimidade são sintomáticos de uma degeneração endémica, mas é sobretudo a incapacidade de dizermos e gritarmos que estamos bem, que somos felizes, que gostamos quando assim é e procuramos ser quando não padecemos dessa sorte que comprova que abdicámos da vida, da essência!

A distância, o afastamento e a não vivência são contíguos da perfeição. A memória e a imaginação são a redoma protegida da inexorável realidade defeituosa. Longe até os defeitos são vítimas de um saudosismo incomensurável, os erros susceptíveis de um sorriso solitário, as características iguais qualidades tão próprias, os sítios e os momentos réprobos por lágrimas isoladamente sentidas de felicidade por já ter vivido o que relembro.

A nostalgia não é sempre má, o passado já foi vida portanto não pode ser menosprezado. O malogro é ficar-se enclausurado, pretender que o futuro seja a projecção de um passado é estagnar.

Ainda podemos escapar das lamúrias da velhice e não dizer que devíamos ter amado mais, ter morrido de amor, lutado e chorado mais! Ver o sol nascer…e a lua aparecer!

O sentir é premente!

…e o Mundo precisa de mais alma!

 


publicado por portalegreeomundo às 22:12
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O lado oneroso da mudança!

A globalização emerge como fenómeno inelutável impelindo a inoculação de uma transformação inaudita. A Idade em que vivemos, ou sobrevivemos, está confinada a uma ambiguidade suprema e inigualável, razão que justifica a dificuldade em determinar um termo consensual que a conceptualize satisfatoriamente. Alguns relegam-na a ao mero período ulterior ao anterior: Idade Pós-Moderna; muitos outros são contundentes ao conceito, considerando-o diminuto, uma vez que a conjuntura que deflagra a contemporaneidade é mais do que a simples radicalização ou agudização das características do período antecedente; insurgem-se ainda os paladinos de períodos remotos, mais pragmáticos, consideram o século XXI a Idade Pós-Metafísica ou Pós-Ttradicional atendendo às premissas que não exasperam controvérsia. Não obstante á presença de características inolvidáveis do Classicismo e era Tradicional nos tempos que decorrem, é um facto iniludível que no que diz respeito ao conhecimento, mais propriamente, ao que lhe confere legitimidade, fundamento e autoridade os seus alicerces mudaram drasticamente, comprovando que, pelo menos, na área epistemológica a ruptura é indelével.

São os novos meios para disseminação do conheciment que me suscitam preocupação dilacerada. Sem querer limiar a posição ufana de crítica que simplesmente colige o lado deplorável da situação, exímia na condenação mas ignota na exegese global, a verdade é que como cidadã e sobretudo receptora destes  modelos originais de conhecimento me consinto o direito de pugnar quando a situação é pesarosa.

Os meios de comunicação, mais propriamente a televisão, são os protagonistas de uma notícia que erradica o regozijo. Os microprogramas são a novidade. Inefável para os seus mentores, porque a confinam ao seu carácter anódino. Nociva, na verdade, porque é mais uma índice do funesto que prolifera,  é mais uma materialização da faceta deplorável da celeridade.

Com o intuito de emular a Internet que impera, a televisão sucumbiu ao seu formato trespassando de uma forma inadvertida entretenimento e informação cada vez mais exígua porque exageradamente sintéctica. Se os telejornais portugueses pecam e se afastam do que deve ser arquétipo, pela duração, os restantes são réprobos porque cometem o assimétrico.

A BBC caucionou um acordo com a “Youtube” para divulgar no mesmo site conteúdos em formato pequeno; o ex-vice-presidente americano Al Gore lançou em Londres a Current TV cuja finalidade é a profusão de filmes de três a oito minutos, com intuito de fomentar o interesse do destinatário e claro não ser minimamente fastidioso; o director da BBC conjectura a hipótese de circunscrever o noticiário à sua faceta mais lacónica, limitando-o ao  minuto ( caso do programa “60 seconds” do canal BBC3) alegando a ausência de resistência do seu público; e não chegando a excessiva concisão para transbordarem os defeitos, ainda são facultados os meios para que a época seja de paroxismo de subjectividade e hegemonia perigosa do arbítrio individual. Mesmo pressupondo, quero acreditar, o escrutínio anterior dos programas pelos competentes, o “Chanel Five”(canal privado) já ocupa metade do seu noticiário da noite com “clips” enviados pelos telespectadores.

Facilmente nos deixamos ludibriar pelos apanágios inerentes ao vanguardismo da comunicação tangível nos exemplos enumerados e na conjuntura à nossa volta, todavia é deveras premente que consideremos que a ambivalência é uma constante. São irrefragáveis as prerrogativas imanentes a esta liberdade de expressão e confiança no individuo anónimo, se porventura, essas facilidades forem apropriadas considerando valores, probidade,  rigor e competência. O busílis da questão é precisamente a aptidão para a promiscuidade entre liberdade e libertinagem. Extrapolamos e aproveitamo-nos da maneira mais nefasta quando de alguma forma reclamam que nós, civis, sejamos mais activos e participemos de forma responsável no processo de sermos um Mundo que se conhece. Depressa aparecem peças denotando proselitismo, puritanismo obscuro onde a auto-promoção e o prosaico estão latentes. Atendendo ao facto que nos dias que correm parecer ser condição necessária e simultaneamente suficiente a existência de público, duvido que sejam censuradas ou impedidas de serem transmitidas, mesmo que isentas de conteúdo.

Paralelamente aos efeitos subsequentes à mutação do receptor em emissor, coexistem as consequências inerentes à fugacidade dos programas, sobretudo porque se perscrutado dissimulado no fenómeno está uma forma de vida comum e ignóbil: a do consumo sem critérios ou requisitos, a da procura de tempo que nunca chega porque a tranquilidade pereceu, a da realização de tudo com a máxima rapidez chegando o superficial e a ligeireza para que, aparentemente, nos distanciemos do néscio;

Os microprogramas são um sintoma idóneo da postura e forma de estar de agora, satisfaz-nos e chega-nos o geral que no fundo é inanidade porque em lugar de ser adjuvante à compreensão é condicionante. Muito embora reconheça o exagero subjacente ao que consigno, creio que nos aproximamos da barbaridade. Não nos imiscuímos nos contextos, não permitimos que se entranhem as conjunturas e ainda assim logramos opinar, comentar, repudiar ou aceitar, agora até produzir!

É primordial recordar, uma vez que parece proscrito, que a comunicação é um pólo com uma supremacia incomensurável exigindo como tal a presença total, e não parcial, de profissionalismo. Como componente  auxiliar considero benéfico a contribuição do público através de realizações pessoais, como peças que ocupam espaços  nos jornais equiparando-se a um trabalho jornalístico acho contraproducente e pernicioso.

Os tempos são de indigência da sapiência e carestia de dedicação, ausência de vontade de saber e preocupação exasperada em sobressair e ser conhecido apenas,  se são criadas as condições propícias  à parcialidade desprovida de credibilidade acredito que o amanhã será um imbróglio inextricável.

 


publicado por portalegreeomundo às 22:04
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Quando a solução não depende do acaso!

 

Solicitaram a minha assinatura para trucidar definitivamente o maior flagelo que a Humanidade inventou: a guerra como solução idónea para as beligerâncias e antagonismos. Se o momento podia ter sido somente mais um e a assinatura apenas sintomática do beneplácito, a situação tornou-se insigne. Reparei que calamidades que decorrem exclusivamente de uma faceta furtiva e funesta intrínseca ao Homem são pelo mesmo assumidas como triviais. Tornamo-nos indolentes e insensíveis, somos capazes de coabitar com o cataclismo ainda que a solução não nos transcenda. Encontramo-nos numa altura patibular, em que a resolução destas patologias, réprobas por uma degeneração morosa mas crescente, é considerada quimérica. Paralelamente a todas as peculiaridades desta Modernidade, persiste um paradoxo inaudito: a possibilidade de mudar o Mundo é progressivamente exequível mas a intervenção estiola.  

Em tempos ancestrais, e de uma forma lancinante, considerávamo-nos coibidos de intervir porque crédulos da limitação imputada pelas directrizes do omnipresente, enclausurados no obscurantismo pelo crepúsculo do conhecimento insipiente desconhecia-mos a existência da faculdade que nos diferencia: a razão. O que acontecia era destino, malogro ou fortuna; no contexto ulterior, o Iluminismo disseminou,  paulatinamente começámos a perceber que, não obstante à verosimilhança da existência de forças que nos excedem, a nossa vida e decisões, rumo e mudanças, corolários e consequências são sobretudo, senão totalmente um resultado da nossa vontade; agora, no tempo de espectro de evolução incomensurável, somos seres conscientes, conhecedores das nossas fronteiras, ainda que aspirando sempre o horizonte, onde os problemas que imperam e são prementes têm o homem como cerne: começam por culpa deste, desenvolvem-se por displicência do mesmo e não findam por frivolidade de uns e conformismo de outros.

É ignóbil como convivemos tranquilamente com a atrocidade! E quando consigno tais assumpções , imediatamente se insurgem aqueles que se resignam diariamente reclamando e indagando o que pode ser feito, se quem governa são os políticos? Pois os que se sublevam com quem os acusa, para eles inadvertidamente, ostracizam que a realidade não é o que existe, mas um resultado do que assumimos como tal. A guerra não é uma conjuntura inerente à convivência, é imanente porque o homem se habitou ao facilitismo. Proscrevemos que quem nos lidera tem legitimidade porque a delegámos, podemos rebelar-nos, gritar mesmo que ninguém nos ouça, porque deixar de sonhar é morrer. A esperança sucumbiu ao conformismo e o marasmo prolifera, porque é confortável delegarmos responsabilidades e eximirmo-nos da nossa culpa. A guerra existe porque a perpetramos.

O mutismo profuso é ensurdecedor, pois o pior veneno para a audição é o silêncio consequente da incapacidade de nos ouvirmos, de nos compreendermos, de nos juntarmos. A Torre de Babel ressuscitou dos primórdios e agora não está confinada a uma parte do globo, a Mesopotâmia, é o mundo! Os tempos de línguas universais são concomitantemente e curiosamente o tempo em que menos nos entendemos.

Verdade que sou exímia a detectar defeitos, não por fatuidade inata mas por perceber que sendo a perfeição utópica e indesejável, a mudança é imperória porque sinónima de maioridade.

Tecemos impropérios aos tempos, lamuriámo-nos da ausência de causas, somos saudosistas de um 25 de Abril onde as pessoas tinham porque ser refractários e olvidamos que os motivos para a luta desapareceram porque os valores pereceram. Alegamos a carência de motivos plausíveis para pugnar, sem repararmos que a sua ausência não é corolária de inexistência mas escassez de procura. A altura é deveras pungente, as ditaduras não são iniludíveis porque não têm cara, não estão circunscritas a um espaço territorial e não têm os dissidentes. O despotismo é da passividade e indolência do indivíduo anónimo que, ainda que não interfira, corrobora  obliquamente com os actos ominosos porque se silencia. Deixa que terceiros com os seus álibis inanes obnubile a sua lucidez e dilacere o seu discernimento, acabando por convencer que a querela é aceitável. É anémico perante a persuasão dos mentores dessas soluções em prol de finalidades altruístas e por isso não atenta que os argumentos não passam de invólucro. A ambição por hegemonia é inexaurível e desproporcional face ao anseio prurida de nos tornarmos  Homens.

Vamos expurgar o sonambulismo que nos invade, depurar esta sedentariedade de acção e acreditar que o idealismo não é académico! A vida é uma construção, se é irrefragável a capacidade de a destruir, tem de ser inolvidável a possibilidade de a reconstruir!


publicado por portalegreeomundo às 21:59
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

O lado oneroso da mudança!

A globalização emerge como fenómeno inelutável impelindo a inoculação de uma transformação inaudita. A Idade em que vivemos, ou sobrevivemos, está confinada a uma ambiguidade suprema e inigualável, razão que justifica a dificuldade em determinar um termo consensual que a conceptualize satisfatoriamente. Alguns relegam-na a ao mero período ulterior ao anterior: Idade Pós-Moderna; muitos outros são contundentes ao conceito, considerando-o diminuto, uma vez que a conjuntura que deflagra a contemporaneidade é mais do que a simples radicalização ou agudização das características do período antecedente; insurgem-se ainda os paladinos de períodos remotos, mais pragmáticos, consideram o século XXI a Idade Pós-Metafísica ou Pós-Ttradicional atendendo às premissas que não exasperam controvérsia. Não obstante á presença de características inolvidáveis do Classicismo e era Tradicional nos tempos que decorrem, é um facto iniludível que no que diz respeito ao conhecimento, mais propriamente, ao que lhe confere legitimidade, fundamento e autoridade os seus alicerces mudaram drasticamente, comprovando que, pelo menos, na área epistemológica a ruptura é indelével.

São os novos meios para disseminação do conheciment que me suscitam preocupação dilacerada. Sem querer limiar a posição ufana de crítica que simplesmente colige o lado deplorável da situação, exímia na condenação mas ignota na exegese global, a verdade é que como cidadã e sobretudo receptora destes  modelos originais de conhecimento me consinto o direito de pugnar quando a situação é pesarosa.

Os meios de comunicação, mais propriamente a televisão, são os protagonistas de uma notícia que erradica o regozijo. Os microprogramas são a novidade. Inefável para os seus mentores, porque a confinam ao seu carácter anódino. Nociva, na verdade, porque é mais uma índice do funesto que prolifera,  é mais uma materialização da faceta deplorável da celeridade.

Com o intuito de emular a Internet que impera, a televisão sucumbiu ao seu formato trespassando de uma forma inadvertida entretenimento e informação cada vez mais exígua porque exageradamente sintéctica. Se os telejornais portugueses pecam e se afastam do que deve ser arquétipo, pela duração, os restantes são réprobos porque cometem o assimétrico.

A BBC caucionou um acordo com a “Youtube” para divulgar no mesmo site conteúdos em formato pequeno; o ex-vice-presidente americano Al Gore lançou em Londres a Current TV cuja finalidade é a profusão de filmes de três a oito minutos, com intuito de fomentar o interesse do destinatário e claro não ser minimamente fastidioso; o director da BBC conjectura a hipótese de circunscrever o noticiário à sua faceta mais lacónica, limitando-o ao  minuto ( caso do programa “60 seconds” do canal BBC3) alegando a ausência de resistência do seu público; e não chegando a excessiva concisão para transbordarem os defeitos, ainda são facultados os meios para que a época seja de paroxismo de subjectividade e hegemonia perigosa do arbítrio individual. Mesmo pressupondo, quero acreditar, o escrutínio anterior dos programas pelos competentes, o “Chanel Five”(canal privado) já ocupa metade do seu noticiário da noite com “clips” enviados pelos telespectadores.

Facilmente nos deixamos ludibriar pelos apanágios inerentes ao vanguardismo da comunicação tangível nos exemplos enumerados e na conjuntura à nossa volta, todavia é deveras premente que consideremos que a ambivalência é uma constante. São irrefragáveis as prerrogativas imanentes a esta liberdade de expressão e confiança no individuo anónimo, se porventura, essas facilidades forem apropriadas considerando valores, probidade,  rigor e competência. O busílis da questão é precisamente a aptidão para a promiscuidade entre liberdade e libertinagem. Extrapolamos e aproveitamo-nos da maneira mais nefasta quando de alguma forma reclamam que nós, civis, sejamos mais activos e participemos de forma responsável no processo de sermos um Mundo que se conhece. Depressa aparecem peças denotando proselitismo, puritanismo obscuro onde a auto-promoção e o prosaico estão latentes. Atendendo ao facto que nos dias que correm parecer ser condição necessária e simultaneamente suficiente a existência de público, duvido que sejam censuradas ou impedidas de serem transmitidas, mesmo que isentas de conteúdo.

Paralelamente aos efeitos subsequentes à mutação do receptor em emissor, coexistem as consequências inerentes à fugacidade dos programas, sobretudo porque se perscrutado dissimulado no fenómeno está uma forma de vida comum e ignóbil: a do consumo sem critérios ou requisitos, a da procura de tempo que nunca chega porque a tranquilidade pereceu, a da realização de tudo com a máxima rapidez chegando o superficial e a ligeireza para que, aparentemente, nos distanciemos do néscio;

Os microprogramas são um sintoma idóneo da postura e forma de estar de agora, satisfaz-nos e chega-nos o geral que no fundo é inanidade porque em lugar de ser adjuvante à compreensão é condicionante. Muito embora reconheça o exagero subjacente ao que consigno, creio que nos aproximamos da barbaridade. Não nos imiscuímos nos contextos, não permitimos que se entranhem as conjunturas e ainda assim logramos opinar, comentar, repudiar ou aceitar, agora até produzir!

É primordial recordar, uma vez que parece proscrito, que a comunicação é um pólo com uma supremacia incomensurável exigindo como tal a presença total, e não parcial, de profissionalismo. Como componente  auxiliar considero benéfico a contribuição do público através de realizações pessoais, como peças que ocupam espaços  nos jornais equiparando-se a um trabalho jornalístico acho contraproducente e pernicioso.

Os tempos são de indigência da sapiência e carestia de dedicação, ausência de vontade de saber e preocupação exasperada em sobressair e ser conhecido apenas,  se são criadas as condições propícias  à parcialidade desprovida de credibilidade acredito que o amanhã será um imbróglio inextricável.

 

 


publicado por portalegreeomundo às 22:17
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Será o cinema a síntese de um povo?

 

A aversão à estagnação parece ter-se ausentado da cidade no que concerne à cultura. Portalegre é a cidade que surge nos jornais como motivo de  vergonha, com um número de espectadores  irrisório nas sessões de cinema comparativamente a outras cidades. O cinema é a sétima Arte e para a contemporaneidade a primeira hipótese de exceder os limites. O cinema é a luzinha que tanto se fala quando a esperança teima em perecer,  porque é vítima de uma atenção incomensurável comprovando que a Humanidade ainda padece de uma réstia de interesse pelo Mundo que a envolve. Por tudo o que implica não é deveras agradável constatar que a nossa cidade relegou mais uma vez os lugares cimeiros e não lhe bastando a distância do início, ainda persistiu no honrado lugar de última.

Portalegre logrou adquirir uma panóplia de infra-estruturas que incentivam à Modernidade longínqua até então e remota desde há muito, mas a inexistente receptividade dos seus congéneres insiste em rejeitá-la peremptoriamente, não dissimulando o repúdio intrínseco a qualquer sintoma de vanguardismo. O desprezo pelas prerrogativas legadas pelo desenvolvimento faz de nós seres anémicos, susceptíveis de um enclausuramento eterno no obsoleto e serôdio. Mais pungente que preterir desfrutar dos indultos diligenciados é não coligirmos as consequências nefastas dessa conduta.

O cinema não está, de forma alguma, confinado ao brilhantismo dos seus protagonistas, à ousadia e audácia de muitos realizadores, às expensas que movem Hollywood e os fans ludibriados pelo mundo frívolo subsequente, a uma noite de Óscares onde os panegíricos inebriam os mentores dos filmes cujo o consenso fez deles inigualáveis. O cinema é a ruptura do conúbio espaço/tempo. É a possibilidade de viajarmos no tempo, de conhecermos lugares, culturas, conjunturas furtivas e omissas sem a presença física ou vivência no tempo respectivo. É a oportunidade de contactarmos com meandros diáfanos e inóspitos que sustentam os alicerces que regem e movem a sociedade e assim cada um de nós, sem para isso precisarmos imiscuirmo-nos empiricamente. É indubitável a dualidade no que concerne ao cinema, ao mesmo tempo que nos dá o Horizonte, permite-nos ver e viver situações sem reclamar a conjectura ou nostalgia recheada de lacunas; impõe-nos a fronteira, porque nos limita concomitantemente quando veladamente conduz o destinatário num sentido. Todavia e não obstante à ambivalência irrefragável, a verdade é que o cinema é a possibilidade de sermos mais conscientes, é a alternativa à cegueira que nos compelem e que nós agradecemos pelo conforto que a condição suscita. Não sendo o ar, o cinema é a botija de oxigénio que nos alivia da asfixia corolária à insipiência, ignorância e desconhecimento que os inexoráveis invólucros políticos e sociais nos imputam.

A liberdade é um apanágio inelutável das sociedades actuais mas a sua dimensão já excede a prescrição e depende fundamentalmente da postura de cada um! A liberdade alimenta-se da curiosidade, informação e inconformismo. Somos mais autónomos e, assim mais livres, quanto mais sages, conscientes e informados. Como podemos pugnar ou mudar sem sequer inteligir que algo está mal e que os instrumentos para que fique melhor não nos transcendem?

O cinema não é indispensável à sobrevivência, mas é indelevelmente uma adjuvante á existência! Mesmo que frequentemente exerça uma influência ignóbil sob o público, conduzindo a uma interpretação unívoca e remetendo-o à passividade da singela recepção, o seu lado benigno não deixa de se sobrepor À sua índole mais deplorável. Faz de realidades distantes epicentros de preocupação, ainda que temporariamente. Exige que a perplexidade não seja efémera porque quando se vê é inaceitável que não se seja contundente. Exorta as mentes displicentes, reitera a responsabilidade individual e conjunta demonstrando que a pusilanimidade e a conspurcação são práticas diárias de dissolutos a quem confiámos as premissas do nosso destino como Mundo. Se antes seria verosímil a letargia do cidadão comum pelos obstáculos em obter a informação e posteriormente agir, agora é de todo infundada por todos os meios facultados por um desenvolvimento inaudito. Estar consciente  e informado é apenas o mínimo que se pode esperar e exigir num Mundo onde é demasiadamente fácil aceder sem se ficar pela superficialidade.

Ignorar o facto de existir uma África com um potencial incomensurável continuamente manipulada e sob a égide dos que a financiam e insistem no peixe em lugar da cana para pescar (”Blood Diamond”); ignorar como uma decisão pode mudar a nossa vida (“Dèja-vu”), não fazer a analogia da história do indígena de “Apocalypto” com cada uma de nós, onde através de uma história dos antípodas obsequiamos a teoria do “bon sauvage” do insigne Rosseau, a sociedade que corrompe o individuo, é simplesmente restringirmos tudo a um pântano de inanidade, em que nos limitamos a fazer o que é inerente ao homem porque nascemos e não porque insistimos em ser!

Assim sendo confesso que Portalegre ou melhor as pessoas de Portalegre não deixam de ser de alguma forma ambíguas. A fleuma dos compatriotas é conclusão peremptória cuja razão só pode ser uma propensão intrínseca para nos confinarmos à redoma da impossibilidade ilusória e desprezo pela velha máxima “o pior cego é aquele que não quer ver”! Ávidos de narcisismo ainda quando o egoísmo é hábito trivial não concebemos sequer a nossa culpa no protelar de muitos contextos. A imagem em conúbio com a palavra é a simbiose perfeita, informa e elucida porque ilustra.

Será que os números sintetizam um povo e uma cidade? Será que nós, os portalegrenses, nos regozijámos com a premissa errónea que cada vida é uma insignificância perante a Humanidade? Espero que este repúdio pelo cinema tenha desculpas que desconheço e que a razão não seja precisarmos de dormir descansadamente e acordar melhor com a nossa consciência, por percebermos que o peso da mesma seria insuportável se conhecêssemos e ostracizássemos.

 

 


publicado por portalegreeomundo às 22:11
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